domingo, 27 de janeiro de 2008

Até que a tragédia nos separe


Todas as vezes que eu abro os meus olhos seja lá que horário do dia, eu penso: "Caralho!". E não nos melhores sentidos do tipo "uhuuuuul! Férias. Os dias estão simplesmente lotados!!"; mas naquela ânsia de a rotina anual voltar logo. Aulas de manhã, emprego pela tarde ou pela noite (se tudo der certo) e muito menos tempo em casa. Minha casa virou um campo de batalha verbal que não cessa nunca. Não pára. Não termina. Só consome e estraga e vai nascendo uma vontade de meter um tiro na cabeça. Sem demagogias. Conviver com a loucura é a pior merda que um ser humano, supostamente em sua sanidade, pode passar nesta vida. Todo mundo tem um quê de paranóia, mas a paranóia de verdade vem travestida de tortura psicológica em relação ao outro. A quem tem de conviver e lidar e aturar e torcer muito para não sucumbir e acabar tudo em tragédia do tipo "Glória feita de sangue" com direito a uma dobradinha caso seja coincidência e aconteça numa segunda-feira de janeiro. Chuvosa e deprimente. Deprimente por ser férias e você não estar na praia olhando para o horizonte e tentando ter alguma esperança de melhora. Alguma esperança de vida menos medíocre e menos sufocante. Ou apenas esperança.


Durante todos os meus 22 anos de existência, admito que nunca me senti tão só. Sem ninguém e vazia. Não tenho vontade de conversar sobre essas coisas com as pessoas e elas tampouco estão interessadas em ouvir. Sinto que não tenho amizades mais, afinal de contas, quando uma amizade acaba recentemente e seu telefone não toca para aquela eventualidade que sempre ocorreu vez ou outra, parece que todo mundo realmente não quer saber de você. Eu poderia ligar para alguém, mas eu sei que todo mundo está fazendo algo mais interessante e que se eu não estou lá, é porque realmente não era para eu estar lá.

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