quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Miseravelmente fofo


HUMGRRRRRRRRRRRRRRHUMGRRRRRRRRRR.
GRRRRRRRRRR.GR.GR.GR.GR.
GRRR.
HUM.

Propriedade organoléptica: desprezibilidade

"A mulher de 23 anos descobre que sente mais por um arquiteto duro do que sentiu por todos os homens anteriores e fica absurdamente insegura, tonta. Namoram. Ela tem um ciúme injustificável. Sofre o tempo todo. Algo mudou. Descobre que não está mais apaixonada, que é muito mais. Descobre que está amando, mas tem dúvidas, é isso mesmo, amor?"
(A mulher de - Marcelo Rubens Paiva)
Vai babaquice nessa vida... Odeio essas pessoas que, por mais que queiram se divertir e mostrar algum tipo de sagacidade perante a vida, escrevem uma merda dessa achando que entendeu tudo. Muito bem, Marcelão, got it, hã!?! Pff.

Coisas que a gente gostaria de ter feito

Zero grau de Libra

Sobre todos aqueles que ainda
continuam tentando, Deus,
derrama teu Sol mais luminoso.


O Sol entrou ontem em Libra. E porque tudo é ritual, porque fé, quando não se tem, se inventa, porque Libra é a regência máxima de Vênus, o afeto, porque Libra é o outro (quando se olha e se vê no outro, e de alguma forma tenta-se entrar em alguma espécie de harmonia com ele), e principalmente porque Deus, se é que existe, anda distraído demais, resolvi chamar a atenção dele para algumas coisas. Não que isso possa acordá-lo de seu imenso sono divino, enfastiado de humanos, mas para exercitar o ritual e a fé - e para pedir, mesmo em vão, porque pedir não só é bom, mas às vezes é o que se pode fazer quando tudo vai mal.
Neste grau zero de Libra, queria pedir a isso que chamamos Deus um olho bom sobre o planeta Terra, e especialmente sobre a cidade de São Paulo. Um olho quente sobre o mendigo gelado que acabei de ver sob a marquise do cine Majestic; um olho generoso para a noiva radiosa mais acima. Eu queria hoje o olho bom de Deus derramado sobra as loiras oxigenadas, falsíssimas, o olho cúmplice de Deus sobre as jóias douradas, as cores vibrantes. O olho piedoso de Deus para esses casais que, aos fins de semana, comem pizza com fanta e guaranás pelos restaurantes, e mal se olham enquanto falam coisas como "você acha que eu devia ter dado o telefone da Catarina à Eliete?" - e o outro grunhe em resposta.
Deus, põe teu olho amoroso sobre todos os que já tiveram um amor sem nojo nem medo, e de alguma forma insana esperam a volta dele; que os telefones toquem, que as cartas finalmente cheguem. Derrama teu olho amável sobre as criancinhas demônias em edifícios, brincando aos berros em playgrounds de cimento. Ilumina o cotidiano dos funcionários públicos ou daqueles que, como funcionários públicos, cruzam-se em corredores sem ao menos se verem - nesses lugares onde um outro ser humano vai-se tornando aos poucos tão humano quanto uma mesa.
Passeia teu olhar fatigado pela cidade suja, Deus, e pousa devagar sua mão na cabeça daquele que, na noite, liga para o CVV. Olha bem pelo rapaz que, absolutamente só, dez vezes repete Moon over bourbon street, na voz de Sting, e chora. Coloca um spot bem brilhante no caminho das garotas performáticas que para pagar o aluguel dão duro como garçonetes pelos bares. Olha também a multidão sob a marquise do Mappin, enquanto cai a chuva de granizo, pelo motorista de táxi que confessa não ter mais esperança alguma. Cuida do pintor que queria pintar, mas gasta seu talento nas redações, pelas agências publicitárias,e joga tua luz no caminho dos escritores que precisam vender barato seu texto - olha por todos aqueles que queriam ser outra coisa qualquer que não a que são, e viver outra vida que não a que vivem.
Não esquece do rapaz viajando de ônibus com seus teclados para fazer show na Capital, deita teu perdão sobre os grupos de terapia e suas elaborações da vida, sobre as moças desempregadas em seus pequenos apartamentos na Bela Vista, sobre os homossexuais tontos de amor não dado, sobre as prostitutas seminuas, sobre os travestis da República do Líbano, sobre os porteiros de prédios comendo sua comida fria nas ruas dos Jardins. Sobre o descaramento, a sede e a humildade, sobre todos os que de alguma forma não deram certo (porque, nesse esquema, é sujo dar-certo), sobre todos que continuam tentando por razão nenhuma - sobre esses que sobrevivem a cada dia ao naufrágio de uma por uma das ilusões.
Sobre as antas poderosas, ávidas de matar o sonho alheio - Não. Derrama sobre elas teu olhar mais impiedoso, Deus, e afia tua espada. Que no grau zero de Libra, a balança pese exata na medida do aço frio da espada da justiça. Mas para nós, que nos esforçamos tanto e sangramos todo o dia sem desistir, envia teu Sol mais luminoso, esse do zero grau de Libra. Sorri, abençoa nossa amorosa miséria atarantada.
(Caio Fernando de Abreu - Pequenas Epifanias)
........................................................................................................................................
Eu vivo me repetindo quanto a isso; mas uma das melhores coisas da vida é estar em uma determinada onda e encontrar por aí algo que expresse, nem tanto, mas quase ipsis litteris essa onda. E digo isso porque ontem mesmo eu passei o dia pensando nos outros. Aliás, ando pensando muito nos outros. Deve ser pelo fato de estar tão envolvida comigo mesma, fazendo as minhas coisas, ainda que essas coisas sejam mais voltadas para os outros que para mim mesma. É uma via dupla que se vai e se vem; e às vezes tenho mais a impressão de ida que de volta, porém, não serei tão ingrata. Impressões por impressões não implica fidelidade. Fidelidade à realidade (ou o que achamos que compõe uma realidade). De qualque forma, ando me perdendo quase sempre em não sei onde. São tantas coisas que parece sintoma de implosão. As dores no corpo e o aperto no coração refletem um pouco do tudo. Eu sempre acreditei muito nessas coisas de somatização. Você está lá guardando as coisas dentro de si, acumulando, juntando e de repente descobre que tem um câncer. Isso faz todo o sentido do mundo. E é por isso que no meu caso, é implosão. Porque parece que é uma espécie de metástase a longuíssimo prazo das coisas que prefiro não dizer sempre pensando nos outros. Eu só espero descobrir que num dia desses qualquer alguém andou pensando em mim; e cultivou seu próprio tumor só para me poupar de desgosto qualquer.
Isso porque eu sempre preferi as coisas muito às claras, mas agora não.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Tudo em terceira pessoa

Ela acha que terceira pessoa pressupõe distanciamento. Talvez isso até seja um bocado verdadeiro porque terceira pessoa remete ao outro e o outro é sempre uma incógnita. Na maioria das vezes, não há como se alcançar completamente tudo o que diz respeito ao outro; porque o outro é outro e é um mundo diferente do próprio e não se pode entender tudo que vem de um mundo diferente do seu. Seu que não é seu com toda a propriedade do mundo porque seu também é terceira pessoa. E isso de brincar querendo falar de si, também dá trabalho porque falar de si parece que você está falando do eu projetado do seu lado, o que também é um distanciamento. É brabo isso de querer falar sobre... hã?

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Now the people cry and the people moan
And they look for a dry place to call their home
And try to find some place to rest their bones
While the angels and the devils
Fight to claim them for their own

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Realidade moendo

E tem aquele pior tipo de pobre ainda; que compra a porra do DVD só pra botar um forrinho em cima.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Daqueles dias em que respirar é dispensável. Mexer-se para um qualquer usual dispêndio de energia, é um desgaste tão grande que as mitocôncrias explodem dentro de sua humilde e respectiva célula. Como aquelas balas que explodem na boca e até hoje não entendo o sentido daquilo; apesar da sensação gostosa de coisas meio doces, meio azedas, pululando da língua ao céu.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Eu sou desse jeito!

Pessoas fanáticas por pamonha, stay away!

Quem sabe faz ao vivo

"Para os outros, o universo parece honesto. Parece honesto para as pessoas de bem porque elas têm os olhos castrados. É por isso que temem a obscenidade. Não sentem nenhuma angústia ao ouvir o grito do galo ou ao descobrirem o céu estrelado. Em geral, apreciam 'os prazeres da carne', na condição de que sejam insossos".
(História do Olho - Georges Bataille)
"Entre todas as coisas que podem ser contempladas sob a concavidade dos céus, não se vê nada que mais desperte o espírito humano, que mais arrebate os sentidos, que mais assuste, que mais provoque entre as criaturas uma admiração ou um terror maior que os monstros, os prodígios e as abominações, nos quais se vêem as obras da natureza invertidas, mutiladas ou truncadas".
(Histórias Prodigiosas - Pierre Boaistuau, e não apenas isso; mas está rolando a preguiça de dar maiores satisfações)
Consideração meia-boca
E como é bom um momento e outro de imersão. É o tipo de coisa que faz pensar como vale a pena sentar a bunda e ler. Aprender com os outros como é que se faz; ainda mais quando se tem uma vaga idéia sobre determinado assunto e de repente encontra escritinho aquilo que era só um sopro de luz nas trevas. Isso porque alguém mais capacitado deu conta de fazer o troço direito. Gratificante é deparar com quem faz o troço direito. E viver um pouco mais aliviado por isso.
P.S.: Pô! Odeio quando esta merda fica toda colada. Odeio treta de formatação. ¬¬

domingo, 2 de novembro de 2008

The shining eyes of a rabbit

As coisas parecem ficar mais fáceis (ou mais aceitáveis) quando na pressa diária para cumprir horários, vem aquele cheiro de amaciante forte que é todo seu. E toda a pressa do mundo pode esperar alguns segundos só porque esse é o cheiro que torna quase tudo que não vem ao caso, suportável.