And that's what really hurts.quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Ensina-me a viver
"Trouble oh, trouble set me free
I have seen your face and it's
too much, too much for me"
Esses dias atrás eu assisti um filme. Em um daqueles momentos tensos de nossas vidas em que tudo está fodido e você ainda mora na casa dos seus pais e a pessoa que você mais ama no mundo diz que você é igual a quem você mais menospreza. Tudo vai ladeira abaixo. Um momento daqueles que você pensa como a vida não vale nada, tudo num tom de puro dramatismo; porém, só nós sabemos a dor e a alegria de lidar com situações diversas e adversas. Como estava bastante confuso em minha cabeça e a única coisa que eu precisava era de algo que ocupasse meus olhos além de lágrimas sofridas, tentei a sorte num filme. Às vezes o "feeling" serve para alguma coisa porque foi algo bem "BINGOU!".
O filme foi "Harold and Maude", toscamente traduzido para o português como "Ensina-me a viver". História simples, edificante, trilha sonora bicho-grilo e tomou de assalto meu coração, mesmo porque eu conseguia chorar de 3 em 3 minutos, fosse pela fofura, fosse pela identificação em algumas partes. De qualquer forma, é um filme que jogou uma possibilidade de pensar diferente sobre certos aspectos, afinal de contas, eu me encontrava em um momento sofrido e nada melhor que um personagem pronto para esfregar algumas coisas na sua cara e talvez até fazer pensar que a vida nem é essa meleca toda só porque 7 entre 10 tentativas de ser bem-sucedido, são frustradas. Não é do meu feitio acreditar que as 3 estejam de bom tamanho, mas num determinado contexto, é melhor que nada. Mas isso seria muito otimismo também. E essa não sou eu, por mais que eu tente mudar e ver tudo sob uma ótica mais positiva (o que funciona pra mim como uma maneira piegas de ludibriar a realidade. Pior que usar drogas. E isso são outros quinhentos).
No frigir dos ovos, sempre vem um ponto de interrogação enorme logo atrás da seguinte frase: "Onde chegar com isso tudo". Digamos que eu sou quebrada e não tenho dinheiro para falar merdas para um profissional da área, mas tenho esse espaço onde posso punhetar e extravazar minhas merdas diárias. Seria muito bom se eu me esforçasse e conseguisse falar bem de alguma coisa, mas para mim, felizmente, admitir um bocado de agonias já é ir bem longe. Embora tudo pareça ainda meio lacônico, o ponto que eu queria chegar está diretamente relacionado com o enredo do filme. Eu poderia ter a sorte de conhecer uma pessoa que com muita simplicidade e espontaneidade talvez conseguisse me mostrar o lado bom de fluir por aí sem grandes culpas e dificuldades, porém, isso seria um grande golpe de sorte. Entretanto, tenho de admitir que eu tenho um bocado de sorte pelo o que tenho atualmente (meia dúzia de perrengues, uns amigos decentes, um pai estratégico, dentre outros), mas vejo que quem precisa asssumir os riscos de viver minha própria vida, sou eu mesma. Não é assim? Não é bem óbvio? O que sei é que não quero acabar sem nada e jogando uma culpa minha em cima das costas dos outros. O que quero quase que exatamente é traçar uma longa corrida de encontro ao mar. Mas isso já se trata de outro final meio incompreendido.
É mesmo!?!

Porcaria, cocô, disgreice, disgrama, porra, caralho, etc etc etc. Sempre evitando a merda e a merda insistindo em acontecer. Ótimo. Estou morrendo de sono e não consigo dormir. E nem consigo dormir porque só de deitar a cabeça no travesseiro e pensar na desgraça que eu fiz ontem, me dá dor. Lá no fundão dói. Dói tanto. Quero dizer, eu passo séculos sem ficar com ninguém e quando rola um troço (sim, porque aquilo foi um troço), só me resta frustrações e uma vontade imensa e presa de chorar. Não posso chegar ao extremo de dizer que estou com nojo de mim mesma, mas é quase isso. Não pela pessoa em si. Não tem nada a ver com isso. O que tem a ver é que era para ser legal, beijos decentes (no sentido de realmente uma pessoa saber beijar a outra. É difícil assim!?!) e enfim. Estou triste, frustrada, com vontade de chorar e sumir.
domingo, 27 de janeiro de 2008
Até que a tragédia nos separe

Todas as vezes que eu abro os meus olhos seja lá que horário do dia, eu penso: "Caralho!". E não nos melhores sentidos do tipo "uhuuuuul! Férias. Os dias estão simplesmente lotados!!"; mas naquela ânsia de a rotina anual voltar logo. Aulas de manhã, emprego pela tarde ou pela noite (se tudo der certo) e muito menos tempo em casa. Minha casa virou um campo de batalha verbal que não cessa nunca. Não pára. Não termina. Só consome e estraga e vai nascendo uma vontade de meter um tiro na cabeça. Sem demagogias. Conviver com a loucura é a pior merda que um ser humano, supostamente em sua sanidade, pode passar nesta vida. Todo mundo tem um quê de paranóia, mas a paranóia de verdade vem travestida de tortura psicológica em relação ao outro. A quem tem de conviver e lidar e aturar e torcer muito para não sucumbir e acabar tudo em tragédia do tipo "Glória feita de sangue" com direito a uma dobradinha caso seja coincidência e aconteça numa segunda-feira de janeiro. Chuvosa e deprimente. Deprimente por ser férias e você não estar na praia olhando para o horizonte e tentando ter alguma esperança de melhora. Alguma esperança de vida menos medíocre e menos sufocante. Ou apenas esperança.
Durante todos os meus 22 anos de existência, admito que nunca me senti tão só. Sem ninguém e vazia. Não tenho vontade de conversar sobre essas coisas com as pessoas e elas tampouco estão interessadas em ouvir. Sinto que não tenho amizades mais, afinal de contas, quando uma amizade acaba recentemente e seu telefone não toca para aquela eventualidade que sempre ocorreu vez ou outra, parece que todo mundo realmente não quer saber de você. Eu poderia ligar para alguém, mas eu sei que todo mundo está fazendo algo mais interessante e que se eu não estou lá, é porque realmente não era para eu estar lá.
sábado, 26 de janeiro de 2008
Momento de reflexão I
So we can start over again

Eu juro que sinto a falta de um pedaço de papel. Um pedaço de papel, uma lapiseira com um bom grafite 0.5 e um calo no dedo "vai tomar no cu". Isso de deixar certos hábitos se desvanecerem e provar a teoria da sua prima mais velha e cafona, é horrível. "Quando você estiver com mais idade, vai ter preguiça de sentar e ficar pensando e escrever"; "Isso nunca vai acontecer comigo!!!". Nunca nada vai acontecer com a gente e acontece. A gente pega raiva da vida e aquela amizade que ia ser pra sempre acaba. De repente. Insípida, inodora, incolor e não dolorosamente. Como um raio que cai na sua cabeça numa tarde de verão num campão aberto e você esperava apenas um céu azul e uma brisa na cara. O que me dói não é o fim. O fim é apenas mais uma parte do processo. Ele sempre vai estar lá esperando a sua hora porque é a única certeza que temos. Que o fim está lá e pronto e acabou. Quer lutar contra isso? Adote uma religião. O que me importuna, me dá vontade de desistir são os meios pelos quais as coisas acontecem. SEMPRE. Se existe uma possibilidade de fazer as coisas decentemente (varia de ponto de vista para lentes multifocais e daí vira um caos) é o modo o qual todo mundo, praticamente sem exceção, vai optar. Se existe uma forma de meter o dedo na ferida, de cagar na porra toda, de enfiar o dedo na tomada e levar choque ad infinitum, é assim que vai ser. Porque rompimentos não permitem razão e nem sensibilidade (que inclusive é um livro meio "nhé"). Mas rompimentos tinham de ser no mínimo ao vivo e a cores, com choro e dramas, com ameaças e dores de cabeça. Com paixão por uma causa que está perdida, mas ainda assim não totalmente. Nisso entra uma outra discussão. Tudo está mais fácil hoje em dia quando se tem uma lan house, uma caixa de e-mail funcionando e uma vontade latente. A desgraça de entregar tudo na mão do virtual é mais um fator que faz pensar que não vale a pena. Que bons momentos foram reduzidos a 010101010101, não necessariamente nessa mesma ordem. Com uma amizade a menos vem toda a descrença de ser uma pessoa dos meus tempos. Desses tempos mais que modernos que levam embora um dia após outro dia a espontaneidade.
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