"Trouble oh, trouble set me free
I have seen your face and it's
too much, too much for me"
Esses dias atrás eu assisti um filme. Em um daqueles momentos tensos de nossas vidas em que tudo está fodido e você ainda mora na casa dos seus pais e a pessoa que você mais ama no mundo diz que você é igual a quem você mais menospreza. Tudo vai ladeira abaixo. Um momento daqueles que você pensa como a vida não vale nada, tudo num tom de puro dramatismo; porém, só nós sabemos a dor e a alegria de lidar com situações diversas e adversas. Como estava bastante confuso em minha cabeça e a única coisa que eu precisava era de algo que ocupasse meus olhos além de lágrimas sofridas, tentei a sorte num filme. Às vezes o "feeling" serve para alguma coisa porque foi algo bem "BINGOU!".
O filme foi "Harold and Maude", toscamente traduzido para o português como "Ensina-me a viver". História simples, edificante, trilha sonora bicho-grilo e tomou de assalto meu coração, mesmo porque eu conseguia chorar de 3 em 3 minutos, fosse pela fofura, fosse pela identificação em algumas partes. De qualquer forma, é um filme que jogou uma possibilidade de pensar diferente sobre certos aspectos, afinal de contas, eu me encontrava em um momento sofrido e nada melhor que um personagem pronto para esfregar algumas coisas na sua cara e talvez até fazer pensar que a vida nem é essa meleca toda só porque 7 entre 10 tentativas de ser bem-sucedido, são frustradas. Não é do meu feitio acreditar que as 3 estejam de bom tamanho, mas num determinado contexto, é melhor que nada. Mas isso seria muito otimismo também. E essa não sou eu, por mais que eu tente mudar e ver tudo sob uma ótica mais positiva (o que funciona pra mim como uma maneira piegas de ludibriar a realidade. Pior que usar drogas. E isso são outros quinhentos).
No frigir dos ovos, sempre vem um ponto de interrogação enorme logo atrás da seguinte frase: "Onde chegar com isso tudo". Digamos que eu sou quebrada e não tenho dinheiro para falar merdas para um profissional da área, mas tenho esse espaço onde posso punhetar e extravazar minhas merdas diárias. Seria muito bom se eu me esforçasse e conseguisse falar bem de alguma coisa, mas para mim, felizmente, admitir um bocado de agonias já é ir bem longe. Embora tudo pareça ainda meio lacônico, o ponto que eu queria chegar está diretamente relacionado com o enredo do filme. Eu poderia ter a sorte de conhecer uma pessoa que com muita simplicidade e espontaneidade talvez conseguisse me mostrar o lado bom de fluir por aí sem grandes culpas e dificuldades, porém, isso seria um grande golpe de sorte. Entretanto, tenho de admitir que eu tenho um bocado de sorte pelo o que tenho atualmente (meia dúzia de perrengues, uns amigos decentes, um pai estratégico, dentre outros), mas vejo que quem precisa asssumir os riscos de viver minha própria vida, sou eu mesma. Não é assim? Não é bem óbvio? O que sei é que não quero acabar sem nada e jogando uma culpa minha em cima das costas dos outros. O que quero quase que exatamente é traçar uma longa corrida de encontro ao mar. Mas isso já se trata de outro final meio incompreendido.

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