quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Das datas deprimentes

"Natal é todo dia a mesma merda".

Não bastando Páscoa, dia dos namorados e finados, eis o natal para completar o santíssimo quadrilátero da derrota. O tipo de data que insiste em celebrar a mediocridade humana e nos lembrar das nossas condições tais como elas se apresentam. Todo ano eu ainda insisto em escrever um "manifesto" ressaltando o quanto eu odeio essa data traumática e imbecil que só serve para ressaltar o quanto as pessoas ainda necessitam de "tauba" de salvação para dar sentido às coisas. E ah... foda-se tudo isso. Beber, comer e The cure que salva desta merda. PORRA!

*Father's shout - Breast milky - Mother fore - Funky Dung



This time tomorrow where will we be
On a spaceship somewhere sailing across any empty sea
This time tomorrow what will we know
Well we still be here watching an in-flight movie show
I'll leave the sun behind me and watch the clouds as they sadly pass me by
Seven miles below me I can see the world and it ain't so big at all
This time tomorrow what will we see
Field full os houses, endless rows of crowded streets
I don't know where I'm going, I don't want to see
I feel the world below me looking up at me
Leave the sun behind me and watch the clouds as they sadly pass me by
And I'm in perpetual motion and the world below doens't matter much to me
This time tomorrow where will we be
On a spaceship somewhere sailing across any empty sea
This time tomorrow, this time tomorrow

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Para dias chuvosos

Myra Lee.

"Intuition said it was fair
All of you should know there's
Not enough to go around"

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Sobre a traição (relações afeto-amorosas)

"Traição é a pessoa com a qual você vivenciou várias coisas, ir lá e compartilhar com sei lá quem aquilo que vocês deram trela juntos; AQUELE filme, AQUELA música..."

De acordo.
"Se é ruim, é coisa de gói; se é bom, é coisa de judeu! Será que vocês não percebem, meus caros pais, em cujas entranhas, não sei como, fui gerado, que essa maneira de pensar é um pouco bárbara? Que vocês estão apenas manifestando seu medo? A primeira distinção que aprendi com vocês, tenho certeza, não foi entre noite e dia, nem entre frio e quente, e sim entre goyische e judeu! Mas, agora, o fato é que, meus caros pais, parentes e amigos aqui reunidos para celebrar meu bar-mitzvah, o fato é que, seus babacas! seus babacas bitolados! - ah, como odeio vocês, por essa mentalidade judaica bitolada! inclusive o senhor, rabino Sílaba, que nunca mais na sua vida vai me mandar até a esquina para comprar mais um maço fedorento de Pall Mall, porque o senhor fede a cigarro, se ninguém ainda lhe disse isso - o fato é que nem tudo na vida cabe nessas categorias desprezíveis e inúteis! E em vez de chorar por causa daquele que aos catorze anos se recusa a voltar a por os pés numa sinagoga, em vez de se lamentar por aquele que deu as costas para a saga do seu povo, chorem por vocês mesmos, criaturas patéticas, isso, é para chorar, mesmo, sempre chupando e chupando essa uva azeda dessa religião! Judeu judeu judeu judeu judeu judeu! Já está transbordando dos meus ouvidos, a saga dos judeus sofredores! Me faça um favor, meu povo, pegue seu legado de sofrimento e enfie no cu - porque por acaso eu também sou um ser humano!"
(O Complexo de Portnoy - Philip Roth)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Cry me a river

Das vezes sem saber causa, motivo, razão ou circunstância os quais levam a andar por aí com olhos marejados. E aquela bola de pêlo cravada na goela. É só disfarçar porque tem uma garotinha que notou, dentre uma multidão de pessoas, que algo não vai bem com você. E fica te encarando com os olhos caídos sinalizando solidariedade. E você olha para o céu, para os livros, para outras pessoas. É uma reação infantil. Bastante infantil pelo fato de que notar que alguém notou, astronomiza o marejado e dá para formar uma gota inteira de lágrima cujo percurso acontece pelo nariz. Pra dar aquela dramaticidade e a nojentice de parecer que tá pingando corisa. Mas isso é só um detalhe. Porque no fundo mesmo você sabe que diabos te fez ficar desse jeito; é só que não tinha atentado com tanto esmero segundos antes. Minutos antes. Quando alguém questiona algo de forma brusca e sem muita razão de ser, fica esquisito. Fica estranho porque parece que foi de propósito e você se sente um lixo. Ainda mais quando é o tipo do assunto que você está botando pra escanteio. Simplesmente não quer ser questionada e não quer conversar a respeito disso nem com a sua própria consciência. E voilá. Eu não sei o que acontece comigo. Tudo parece me atingir de um jeito que não poderia ser assim. Estou tão vulnerável que poderia passar dias chorando sem querer falar com ninguém só porque tá doendo. Eu sinto que tá doendo. Um monte de coisa. Um monte de coisa tá doendo lá dentro e eu ainda me vejo limitada a só deixar os olhos marejados de um marejar que cega. E não cura.
"Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria".

Get into the weather (ingrês tosquêra)


Just as you take my hand
Just as you write my number down
Just as the drink arrives
Just as they play your favorite song
As your bad mood disappears
No longer wound up like a spring
Before you've had too much
Come back and focus again


The walls abandon shape
You've got a cheshire cat grin
all blurring into one
This place is on a mission
Before the night owl
Before the animal noises
Closed circuit cameras
Before you're comatose


Before you run away from me
Before you're lost between the notes
The beats goes round and round
The beats goes round and round
I never really got there
I just pretended that I had
What's the point of instruments
Words are sawed and shotgun


Come on and let it out (venha e exploda em minichicletes)
Come on and let it out (venha e exploda em minichicletes)
Come on and let it out (venha e exploda em minichicletes)
Come on and let it out (venha e exploda em minichicletes)


Before you run away from me
Before you're lost between the notes
Just as you take my mic
Just as you dance, dance, dance


Jigsaws falling into place
There is nothing to explain
Regard each other as you pass
She looks back, she looks back
Not just once
Not just twice
Wish away the nightmare
Wish away the nightmare
You've got a light you can feel it on your back
A light you can feel it on your back
Jigsaws falling into place


Uma analogia interessante

"Ganhar na megasena é assim: um estádio lotaaaaado de gente. Cheio mesmo. Todos os assentos ocupados mais gente espalhada por toda a parte. Um helicóptero sobrevoa o estádio e de repente alguém solta uma bolinha de pingue-pongue lá de cima. E ela vem vindo, vindo, vindo. Lentamente. Muito lentamente. Todos na expectativa. E ela vem vindo. Até que ela, depois de um tempo, finalmente bate na testa de alguém. Felizardo. Ganhou na megasena!
E se bate um vento!?! Um ventinho mais forte e a bolinha voa pra fora do estádio!?! Que que acontece? Acumulou! Mais foda ainda é a bolinha vir na emoção, bater na cabeça de alguém e sair quicando em outras cabeças. Tem de rachar a porra do prêmio. Foda."

Pra você que já viu de tudo na vida e não se cansa

Ônibus pára no ponto. As portas não se abrem e a mulher berra do fundo: "- Motoooooriiiissssstaaaaa! Vai descer, porra!" e sai praguejando. Dentro do ônibus continuam os solitários cansados e alguns carentes. "- É um absurdo isso, né!?! Os motoristas deveriam ser mais atenciosos com os passageiros. Eu vivo passando perrengue com as minhas filhinhas que ando pra cima e pra baixo." Mulher com caroço enorme na cara. Parece até que apanha do marido todos os dias no mesmo lugar. "- Sabe... eu moro longe e eu estou com câncer. Vivo tendo de ir para o hospital fazer um monte de exames e tenho de levar minhas filhas. Uma de sete anos, uma de dois e uma de dez meses que eu sempre faço muito esforço para carregar com um braço enquanto seguro a de dois com o outro braço. É terrível!". As feições vão mudando para um estado de perplexidade misturado com desinteresse. "Esses dias atrás mesmo, eu estava no ônibus e fui descer com minhas filhas. Desci com a pequenina no colo e com a de dois anos. Achei que a de sete estava atrás de mim, ela ainda estava dentro do ônibus e o motorista deu uma arrancada brusca e eu, no susto, larguei a do colo no instinto para salvar a outra. Quando dei por mim, a pequena estava presa no meu braço e eu segurava ela pelo pescoço. Quase o motorista leva minha filha embora. Fiquei desesperada." Sorriso meio amargurado. Expressão meio chocada. "- Acho que vou largar meu tratamento. Não posso ficar andando com minhas filhas pra cima e pra baixo desse jeito. Um dia ainda acontece uma tragédia." Certamente. Seja por causa do ônibus, seja outro motivo.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Vai, medonhice!

"- Em que exatamente você tem tesão?"

"- Em antologias. Ai, deus! Posso nem ver. De contos então..."

glücklich sache


Ihhhhh. E você que tem fixação por esfregar cocô de vaca no corpo!?! (:
Desvendando a fraude - parte 0
"- A Beta sabe alemão?"
"- Nããããããão!"
Seja feliz com as lite saker.

Né piada nããããão, véi!

Num dia qualquer, deus e o diabo se juntaram para ter uma conversa. Depois de muito refletir sobre a conjuntura humana atual, decidiram escalar uma caravana de gregos tanto das profundezas do inferno como das alturas divinas. Selecionaram a dedo todos os integrantes que fariam um tour pelo planeta num período de três meses; para dar uma sacada geral e emitir um relatório valendo a ascensão ou a destruição. Sabe como é... rodízio tem de rolar porque chega uma hora que não dá pra todo mundo. Passado o período de treinamento e aviso prévio, almas gregas sábias e puras foram reencarnadas das mais diversas formas, nos mais variados meios de reencarnação. Bichos, plantas, humanos, pedras e eletroeletrônicos. Passaram três meses e todos esses gregos foram para o purgatório para o grande conselho geral realizado de século em século. Chegado o grande dia, deus e o diabo em seus respectivos tronos quiseram logo saber qual a impressão geral. Os gregos, cabisbaixos e meditabundos, responderam sem demora com muito pesar no coração:
"Hã... então... bem se vê que eles entenderam tudo errado."
Moral da história: Reset.
Sub-moral da história: Sopra o cartucho.

Às moscas

A vida é um troço engraçado. Troço porque troço é bastante genérico e a vida é coisa ampla. Cheia de mutretas e cabritagens. Tudo difícil de dizer. Que nem nas histórias de Lovecraft que tudo é inenarrável, indizível, inimaginável, indescritível, inacreditável, improvável e impensável. Às vezes a gente se depara com momentos em que nós ficamos olhando ao redor e perguntando mentalmente "Cadê a câmera? Alguém viu isso?" estarrecido e desbaratinado com certas situações, sejam elas cômicas, trágicas e hã... existe algum outro tipo de situação ou essas duas já englobam todos os outros termos?
Enfim. Circunstâncias como essas são muito mais recorrentes do que se pensa. No conforto de seu leito, sozinho e pensativo à convivência diária com dúzias de pessoas, lá estão as ações que compõem um cenário geral e ao mesmo tempo bastante peculiar que traz à tona a singeleza e a pequenez do homo sapiens sapiens e a imensurável capacidade de falar merda. Sim. Todo mundo fala merda o tempo todo, mas existem seres obscuros e trevosos que nasceram, ao meu ver, com esse intuito em especial. Porque não basta apenas existir e fazer parte de um todo aceitando a sua humilde posição de grão de areia incluso numa vastidão sem fim. A necessidade das pessoas de se expressar a todo momento, seja através de um suspiro, seja através de alguma barbaridade, semeia em meu coração (que fique bastante claro que eu não sou nada mais, nada menos que um grão de areia nessa imensa vastidão e outras pessoas têm igual direito de achar que eu só falo merda. beleza) a infertilidade incapaz de gerar amor e compreensão para com o próximo. Digo, se deus realmente estivesse atento a tudo que acontece em virtude de sua onipotência, onipresença e onisciência, daria um jeito nisso, certamente. Mas não... ele arrumou sua trouxinha, botou sua camisa florida e foi encher o pandulho de piña colada em alguma galáxia com praias cor-de-rosa e céu lilás. Isso porque azul demais enjoa, né não? Não. O que enjoa, de uma maneira geral, é ter capacidade de processar informações e polegar opositor. Esse lance de segurar coisas... nomeá-las... e criar toda uma teoria super complexa sobre tudo que nos rodeia. Pra quê? Eu me pergunto pra quê. A eterna busca de sentido se ofusca quando diariamente você lida com seres que estão basicamente preocupados com a sobrevivência. Com a vertente pragmática da coisa. Nascer, crescer, ser estúpido, ganhar dinheiro, ser estúpido, gerar mais estúpidos, trepar, trepar, trepar e gerar mais estúpidos, garantir uma merda de aposentadoria do INSS e morrer estupidamente por causa de algum problema no sistema público de saúde que não permitiu a dignidade, mesmo depois de uma vida inteira de labuta e suor e o tantinho de dinheiro amealhado durante toda a existência foi pro ralo naquele dia que se descobriu que estava morrendo e rolava de parcelar um caixão em 64 vezes.
É doentia a preocupação em fazer as coisas direito. Em querer se dar o respeito em fazer as coisas direito num país tão filho-da-puta como essa bosta de Brasil. O fato de ter de se mexer para garantir a sua própria sobrevivência (que inclui não só o sanduíche mais a pequena ambição de um combo por inteiro), traz o tipo de questionamento que desestrutura qualquer ser provido de um mínimo de compromisso com as coisas.
I mean, pra que se preocupar quando um sujeito vira pra você e diz: "- Não, não. Diz logo que que vai cair na prova. Ninguém aqui está interessado em saber que que é verbo, adjetivo e essas coisas todas não. Estamos aqui porque nossos empregos exigem diploma de conclusão de segundo grau pra gente continuar lá."?
Então... qual é o ponto? A verdade é: Não existe ponto. Existe farsa. Abrace isso ou joque fora. E entenda "jogar fora" como dar um tiro na cabeça.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

I do not understand


"Has the light gone out for you?
Cause the light gone out for me.
It is the 21th century
It is the 21th century"






segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Da arte de pregar no deserto

Ser professora é uma decadência. Moral e social.
"Esta noite não vou tomar nenhuma pílula de caixa de tarja preta, quero ficar acordado a noite inteira gozando o prazer de odiar plenamente todo o mundo."
(Diário de um fescenino - Rubem Fonseca)