"Se é ruim, é coisa de gói; se é bom, é coisa de judeu! Será que vocês não percebem, meus caros pais, em cujas entranhas, não sei como, fui gerado, que essa maneira de pensar é um pouco bárbara? Que vocês estão apenas manifestando seu medo? A primeira distinção que aprendi com vocês, tenho certeza, não foi entre noite e dia, nem entre frio e quente, e sim entre goyische e judeu! Mas, agora, o fato é que, meus caros pais, parentes e amigos aqui reunidos para celebrar meu bar-mitzvah, o fato é que, seus babacas! seus babacas bitolados! - ah, como odeio vocês, por essa mentalidade judaica bitolada! inclusive o senhor, rabino Sílaba, que nunca mais na sua vida vai me mandar até a esquina para comprar mais um maço fedorento de Pall Mall, porque o senhor fede a cigarro, se ninguém ainda lhe disse isso - o fato é que nem tudo na vida cabe nessas categorias desprezíveis e inúteis! E em vez de chorar por causa daquele que aos catorze anos se recusa a voltar a por os pés numa sinagoga, em vez de se lamentar por aquele que deu as costas para a saga do seu povo, chorem por vocês mesmos, criaturas patéticas, isso, é para chorar, mesmo, sempre chupando e chupando essa uva azeda dessa religião! Judeu judeu judeu judeu judeu judeu! Já está transbordando dos meus ouvidos, a saga dos judeus sofredores! Me faça um favor, meu povo, pegue seu legado de sofrimento e enfie no cu - porque por acaso eu também sou um ser humano!"
(O Complexo de Portnoy - Philip Roth)
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