terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Cry me a river

Das vezes sem saber causa, motivo, razão ou circunstância os quais levam a andar por aí com olhos marejados. E aquela bola de pêlo cravada na goela. É só disfarçar porque tem uma garotinha que notou, dentre uma multidão de pessoas, que algo não vai bem com você. E fica te encarando com os olhos caídos sinalizando solidariedade. E você olha para o céu, para os livros, para outras pessoas. É uma reação infantil. Bastante infantil pelo fato de que notar que alguém notou, astronomiza o marejado e dá para formar uma gota inteira de lágrima cujo percurso acontece pelo nariz. Pra dar aquela dramaticidade e a nojentice de parecer que tá pingando corisa. Mas isso é só um detalhe. Porque no fundo mesmo você sabe que diabos te fez ficar desse jeito; é só que não tinha atentado com tanto esmero segundos antes. Minutos antes. Quando alguém questiona algo de forma brusca e sem muita razão de ser, fica esquisito. Fica estranho porque parece que foi de propósito e você se sente um lixo. Ainda mais quando é o tipo do assunto que você está botando pra escanteio. Simplesmente não quer ser questionada e não quer conversar a respeito disso nem com a sua própria consciência. E voilá. Eu não sei o que acontece comigo. Tudo parece me atingir de um jeito que não poderia ser assim. Estou tão vulnerável que poderia passar dias chorando sem querer falar com ninguém só porque tá doendo. Eu sinto que tá doendo. Um monte de coisa. Um monte de coisa tá doendo lá dentro e eu ainda me vejo limitada a só deixar os olhos marejados de um marejar que cega. E não cura.

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