Coraçãozinho apertado como há tempos não se via.
Ai, que dor no meu coraçãozinho.
=~
domingo, 29 de junho de 2008
sexta-feira, 27 de junho de 2008
quarta-feira, 25 de junho de 2008
domingo, 22 de junho de 2008
Elucubrações de um pessimista (ou manias de um prevenido)
Pessimistas sabem das coisas. Iludem-se com muito menos facilidade e de alguma maneira isso é até bom. O que vem é lucro e o que der certo, superávite na balança comercial. Na minha cabeça, as coisas acontecem como uma história. Dificilmente, eu consigo imaginar atos isolados. Quase sempre eu penso em algo e o desdobramento daquele algo. Um relacionamento supostamente amoroso, a gente sabe no que vai dar. Uma hora ou outra e o fim é inevitável. A obviedade é indiscutível. Nada é para sempre e aquele papo de todas as vezes. Pensando nisso, eu já fico especulando a trilha sonora que me acompanhará no momento de miséria. Eu desde que conheço uma música em especial, eu sempre soube que ela seria a mais propícia para um momento como esse. Independente de quem fosse, para quando fosse, onde fosse e em que ocasião. A música que tem A manha de expor o fim do afeto. Que tem a manha de pelo menos nos colocar em nosso lugar (fim do poço) e lindamente propor uma esperança de dias melhores. Uma das músicas mais bonitas de todos os tempos. Para sempre e amém.
MOVIMENTO DOS BARCOS
(Jards Macalé - Capinam)
Estou cansado e você também
Vou sair sem abrir a porta
E não voltar nunca mais
Desculpe a paz que eu lhe roubei
E o futuro esperado que eu nunca lhe dei
É impossível levar um barco sem temporais
E suportar a vida como um momento além do cais
Que passa ao largo do nosso corpo
Não quero ficar dando adeus
As coisas passando
Eu quero é passar com elas
E não deixar nada mais do que as cinzas de um cigarro
E a marca de um abraço no seu corpo
Não, Não sou eu quem vai ficar no porto chorando
Lamentando o eterno movimento dos barcos
Chorei.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Carnavalizando a vida

Ok. Carnaval nem é uma das movimentações mais empolgantes do mundo. Só que na minha infância era. E era muito. Carnaval quando era ainda carnaval nas ruas do Rio de Janeiro com aquele mundarel de gente fantasiada e sendo feliz. Simples assim. Às vezes eu fico lembrando das tardes nas matinés com cara de bãbãca vestida de coelha. Sempre coelha. Um ano marrom, outro preto, outro branco, outro malhado. Mas nem sempre foi de coelho porque afinal de contas, o carnaval acontecia em uma pancada de dias e minha mãe trabalhava fortemente para que sua filha ficasse bem na fita. O importante é que eu nunca sei porquê essas coisas me ocorrem. Essas lembranças que vêm do nada e ficam martelando um monte de tempo me deixando com um sorriso brega na cara. Isso porque era muito bom. É o tipo da coisa que a gente tem orgulho de ter vivenciado e ficar chapando com memórias singelas de uma infância feliz. O que eu estava pensando, na verdade mesmo, era que eu gostaria muito de resgatar um tipo de sentimento desse. Dessa simplicidade toda e deixar ir. Estar feliz e desapegar um pouco dos perhaps dessa vidinha medíocre. Não necessariamente vestida de coelha, mas pelo menos com a cara de bãbãca vendo as pessoas sendo felizes. SÓ sendo feliz.
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Hoje eu acordei agorinha. Não fui à aula, não quis ver ninguém. Mal queria respirar e acho que isso tudo pode ser fruto da tpm. Mas levando em consideração que a gente sempre precisa de uma porra de um bode expiatório, digamos que seja eu mesma. Tudo que estou sentindo é culpa minha. PRONTO. Melhor assim.
Eu acordei me sentindo meio nada. Aquela sensação de vazio estupenda e uma tremenda vontade de fugir para algum lugar. Um lugar no meio do nada. Tipo Paris, Texas. Às vezes eu acho que poderia tentar umas doideiras e ver o que acontece; minha vida é muito sem-graça e eu realmente preciso experimentar fortes emoções. Que venham da simplicidade ainda, mas emoções que venham de algum lugar, porém, nem era sobre isso que eu queria falar.
Antes de acordar, eu estava dormindo, certo? Certo. Pois é. E eu estava tendo um sonho medonho. Eu nunca fui muito chegada nisso de sonhar com morte e se lembrasse ao acordar, levar a vida normalmente como se nada tivesse acontecido. Isso mexe comigo de alguma forma. E do jeito que foi, deu para mexer mais ainda porque eu acredito mesmo que haja um significado muito absurdo para o que aconteceu no meu sonho.
O que rolou foi que eu passei muito tempo do meu sonho tentando ligar meu som. Muito tempo mesmo. Tipo horas... tentando limpar e consertar e arrumar e tudo isso para ouvir uma música específica que era qualquer uma do Nirvana que eu não me lembro agora. E lembro que tinha umas amigas zanzando pela casa com muitos chocolates nas mãos e tinha m&m's esparramados por tudo que é lugar e isso atraía as baratas que de certa forma, impediam que meu som funcionasse. Enfim, do nada isso tudo corta para um lugar totalmente diferente. E lá estou eu encontrando meu ex-namorado (que não faz sentido nenhum depois de tanto tempo) num clube muito abandonado (o que é recorrente. Porque todas as vezes que esse imbecil aparece num sonho meu é sempre num clube abandonado) e ele me chega todo queroso e BAM, eu começo a ficar com ele e me sentir a pessoa mais apaixonada do mundo outra vez. Passado alguns momentos de amor e tal e coisa, aparecemos numa área de uma imensa casa em frente à uma praça enorme com uma movimentação muito grande de pessoas. Pára um carro em frente dessa área e descem dois caras muito nervosos e lá estou eu sentada num sofá abraçada ao infeliz quando um dos caras o chama de canto e dá um tiro certeiro na boca dele. E ele morre, obviamente. Mas o mais interessante é que eu não choro. Não sinto absolutamente nada. NADA. Eu nem consigo ter pena da mãe dele que estava do meu lado rindo e conversando animadamente até então. Eu simplesmente pego minhas coisas e vou embora. Só vou embora. E de uma certa forma, é muito o que eu gostaria de fazer nesse exato momento. Ir embora e sentir falta de um monte de gente.
Comentário pré post
Se tem uma coisa que eu odeio muito é cãimbra. Cãimbra na perna fode a vida. Mesmo a minha que nem é vida de esportista.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Então... quer dizer que você pensa isso?
Penso.
Eu meio que não concordo, mas tudo bem.
Ih, ou. Nem era para concordar mesmo não.
Claro que não era. Foi tudo muito firme para haver discordância.
O importante é que está claro.
Está?
Claro que está. Está claro que é assim e pronto.
Ah, então é assim mesmo?
É.
Ah, então tá então.
Então fica assim.
Assim como?
Desse jeito.
De boa?
Sempre.
Penso.
Eu meio que não concordo, mas tudo bem.
Ih, ou. Nem era para concordar mesmo não.
Claro que não era. Foi tudo muito firme para haver discordância.
O importante é que está claro.
Está?
Claro que está. Está claro que é assim e pronto.
Ah, então é assim mesmo?
É.
Ah, então tá então.
Então fica assim.
Assim como?
Desse jeito.
De boa?
Sempre.
terça-feira, 17 de junho de 2008
Black Wave
quarta-feira, 11 de junho de 2008
- Não vai me proibir de cortar o cabelo, vai?
- Não; vai ser excitante.
- Claro que vai, querido. E eu parecerei mais linda e você vai se apaixonar por mim de novo.
- Diabo! - exclamei. - Já estou mais do que apaixonado por você. O que mais você quer que eu faça? Que me destrua?
- Sim, querido. Quero destruir você.
- Bom, então é isso o que eu quero também.
(Adeus às armas - Ernest Hemingway)
- Não; vai ser excitante.
- Claro que vai, querido. E eu parecerei mais linda e você vai se apaixonar por mim de novo.
- Diabo! - exclamei. - Já estou mais do que apaixonado por você. O que mais você quer que eu faça? Que me destrua?
- Sim, querido. Quero destruir você.
- Bom, então é isso o que eu quero também.
(Adeus às armas - Ernest Hemingway)
sexta-feira, 6 de junho de 2008
quinta-feira, 5 de junho de 2008
terça-feira, 3 de junho de 2008
Borboletando II
No dia seguinte, acordou-se cedo, mas não com intuito de dar prosseguimento ao grande plano, mas sim, obviamente, ver desenhos na tv a manhã toda e se empolgar e pensar em estratagemas infalíveis a serem colocados em prática logo depois do almoço. Logo após a refeição, munida de potes de vidro cheios de poeira e teias de aranha, correu à casa do vizinho e rapidamente colocaram-se entre as plantas novamente. Sempre com a ilusão de que estavam sendo discretos o suficiente a ponto de ter a certeza que todas as borboletas seriam presas sem maiores dificuldades. Ledo engano. Algumas horas foram necessárias para que percebessem que a técnica estava deixando a desejar e se puseram a pensar em novas formas de captura. Correram em casa e arranjaram uma daquelas tesouras de costura que os adultos sempre tentam manter as crianças à distâncias potencialmente seguras. E pensaram que talvez cortando os cabinhos das flores, estariam sendo mais espertos e sagazes se fossem rápidos o suficiente com o pote. A primeira experiência foi bem sucedida. Sorrateiros, chegavam à beira da flor e posicionavam o pote com discrição, enquanto o outro vagarosamente mirava a tesoura no cabinho e o cortava, de modo que a flor caía de cabeça para baixo dentro do pote, às vezes esmagando a borboleta. Entretanto, tudo se resolvia com uma leve balançadinha do recipiente. Durante a tarde, várias borboletas foram enclausuradas dentro de potes de várias formas e tamanhos com suas respectivas flores, mas ao fim de tudo, não sabiam o que fazer com elas. Não sabiam onde as colocariam. Não tinham a certeza se elas estavam bem por aparentar uma fraqueza mórbida e muito menos tiveram a consciência de fazer uns buraquinhos na tampa para que as borboletas pudessem pelo menos respirar. Porém, elas resistiram até a próxima idéia. As crianças recorreram a um velho viveiro de pássaros o qual parecia mais que suficiente pela estreiteza de sua tela e pelo espaço supostamente enorme que permitiria o vôo de seus reféns. Estava tudo certo! Um lugar, reféns, flores e pronto. Mas será que borboletas bebem água? Não entrava na cabeça das crianças como um simples inseto poderia beber água. E então, pesaram uma saída aparentemente viável. Não mais que depressa correram até a vendinha mais próxima, juntaram suas moedas e compraram um desinfetante floral. O mais cheiroso e aprazível de todos. O mais caro. O mais mais. Voltaram para o viveiro e distribuíram o líquido precioso e promissor em pequenas tampas de refrigerante e esperaram observando calma e ansiosamente o agonizar das borboletas que em suas cabecinhas de criança pareciam mais surtos incontidos de felicidade. Chegada foi a hora de recolher para o banho e descansar para o outro dia. E o outro dia parecia muito distante. Dormir foi tão difícil. Dormir era impossível. Todavia, o outro dia chegou e não teve uma manhã repleta de desenhos. Logo cedo correu para a casa do vizinho e desesperadamente se puseram em direção ao viveiro. Chegando lá, havia apenas borboletas descoloridas e caídas no pedaço de madeira que servia de chão. Entreolharam-se e tiveram a certeza de que pensavam a mesma coisa. Com os olhares tristes e resignados, saíram andando sem ao menos fazer a mínima idéia de onde foi que erraram em todo o procedimento. Saíram andando calados até que um virou para o outro e disse:
" - Quer um pirulito?"
Borboletando I
A mudança para outro estado praticamente a fez uma garota de prédio. Daquelas crianças que convivem pouco com outras crianças e quando o faz, não ultrapassa exatamente os limites que a imaginação possa ter dentro da cabeça. Contudo, as coisas ficavam diferentes nas férias; quando ia para a casa da avó num lugarejo todo parado no tempo onde as pessoas ainda faziam coisas antigas como, por exemplo, interagir organicamente com a vizinhança. E é por isso que as crianças se reuniam para brincar o que desse na telha naqueles dias quentes de verão que se estendiam por longas horas de nada para fazer, quando não se estivesse na praia em busca de tatuís. E foi num dia desses que duas crianças tiveram a grande idéia de caçar borboletas (justamente pelo fato de nesse lugar parado no tempo ainda ter casas com jardins a perder de vista, num clima pode-se dizer, até meio selvagem), mas não apenas caçar borboletas e sim, caçar borboletas daquele jeito torto infantil. E deu-se início à grande empreitada. Primeiro, era necessário ver o que tinha dentro de casa que não era mais usado pelas pessoas grandes e depois, ver o quanto de moedas tinha disponível no bolso para um futuro gasto com algum aparato muito importante e indispensável ao sucesso. Bem, quase houve desistência, mas a obstinação de um par de infantos em férias não deixaria tudo ir por água abaixo. Depois de fuçar as despensas, com alguns potes de vidro na mão, ninguém poderia parar aquela jornada científica (haha). Enveredados pelos jardins, ficavam de plantão entre as moitas e as plantas altas e esparramadas à espera de uma borboleta graciosa, voando daquele jeito preguiçoso que o verão impõe a todos e aguardando uma pousada estratégica para que fossem lá e TCHANS! Assim a tarde foi passando. A primeira tarde do primeiro dia depois da grande idéia. E dessa maneira duas borboletas sem-graça foram capturadas. Borboletas pretas e não aquelas exuberantes que costumavam pousar no pé de papoula. Ao entardecer, os gritos para tomar banho e sossegar o facho. Tudo viria a ser diferente no outro dia.
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