Pessimistas sabem das coisas. Iludem-se com muito menos facilidade e de alguma maneira isso é até bom. O que vem é lucro e o que der certo, superávite na balança comercial. Na minha cabeça, as coisas acontecem como uma história. Dificilmente, eu consigo imaginar atos isolados. Quase sempre eu penso em algo e o desdobramento daquele algo. Um relacionamento supostamente amoroso, a gente sabe no que vai dar. Uma hora ou outra e o fim é inevitável. A obviedade é indiscutível. Nada é para sempre e aquele papo de todas as vezes. Pensando nisso, eu já fico especulando a trilha sonora que me acompanhará no momento de miséria. Eu desde que conheço uma música em especial, eu sempre soube que ela seria a mais propícia para um momento como esse. Independente de quem fosse, para quando fosse, onde fosse e em que ocasião. A música que tem A manha de expor o fim do afeto. Que tem a manha de pelo menos nos colocar em nosso lugar (fim do poço) e lindamente propor uma esperança de dias melhores. Uma das músicas mais bonitas de todos os tempos. Para sempre e amém.
MOVIMENTO DOS BARCOS
(Jards Macalé - Capinam)
Estou cansado e você também
Vou sair sem abrir a porta
E não voltar nunca mais
Desculpe a paz que eu lhe roubei
E o futuro esperado que eu nunca lhe dei
É impossível levar um barco sem temporais
E suportar a vida como um momento além do cais
Que passa ao largo do nosso corpo
Não quero ficar dando adeus
As coisas passando
Eu quero é passar com elas
E não deixar nada mais do que as cinzas de um cigarro
E a marca de um abraço no seu corpo
Não, Não sou eu quem vai ficar no porto chorando
Lamentando o eterno movimento dos barcos
Chorei.
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