
terça-feira, 31 de março de 2009
terça-feira, 24 de março de 2009
Enough is enough

(Especial: O melhor dia da sua vida - 20/03/2009)
Toda a preparação necessária para o melhor dia da vida não chega a ser suficiente mesmo porque não tem muito o que preparar. A não ser o tempo e a sorte de não topar com imprevistos toscos que sempre aparecem para foder com tudo. A graça não existe tanto em escrever sobre o dia fatídico depois que passou todo o frisson e você já racionalizou metade das trelas proporcionadas pelo ambiente, pelas músicas, pelo doce. O que não deixa de ser uma tentativa singela e humana de ao menos documentar parte de uma bela memória a se guardar no fundo d'alma para o resto da vida, amém.
Pois bem. Estava lá eu respirando num dia qualquer de 2008, quando me avisaram que o Radiohead ia tocar no Brasil em 2009 e tudo indicava que dessa vez a coisa engrenaria porque afinal de contas, eu tinha um estágio de bolsa miserável, muito embora o suficiente para me programar e dar conta de ver a porra do show que eu espero desde que comprei o primeiro álbum da banda mais tchans pra mim nessa atualidade boçal e incompetente. Pausa para colchetes de fluxo de consciência. já. [Interessante que meu primeiro cd foi o Amnesiac. Tá certo que ele foi lançado em 2001 e eu descobri o Radiohead já um bocado tarde, mas o importante é que o Amnesiac tinha pouco tempo no Brasil e eu fui lá toda mobral comprar um cd de uma banda que eu tinha apenas ouvido falar um dia na vida. E o mais interessante ainda é que o Amnesiac se tornou meu álbum mais preferido de todos e eu quase tive um ataque cardíaco quando tocou You and whose army? - mesmo porque rola toda uma memória afetiva com essa música ainda que seja bastante recente. Entretanto, o fato de ter me entregue às lágrimas nesse momento mágico de pura catarse (he he... deus que atua - fluxo inconsciente, porra!) foi o suficiente para liberar minhas tensões fruto de um contínuo acúmulo de emoção de uma vida inteira. Eu poderia ter explodido em mini chicletes, mas confesso que o público carioca é deveras frustrante e me brochou um pouco, ainda mais com aquele comportamento bisonho durante o show dos bregas dos Los Hermanos e o comportamento mais medonho ainda durante o fabuloso show do Kraftwerk. Mateus que estava certo quando veio com aquele papo de dar pérolas aos porcos e não sei mais o quê. [Treta, bicho.]
Levando em consideração que eu já nem sei que que eu estava falando, vou direto ao ponto porque parece que o ponto mesmo eu já até falei sobre. Enfim... eu estava lá no Rio de Janeiro, cheia de bondade no coração, tendo uma bad trip violentíssima na hora do show dos Los Hermanos. Sério mesmo. Aquela gente cantando TODAS as letras em TODOS os momentos. Chorando, pedindo pro Los Hermanos voltarem, dando rata demais na conta da minha frente, estava roubando todo o ar que eu poderia respirar. Suando frio que nem um gado prestes a ser abatido e com uma vontade louca de morrer de descrença. E o show não acava nuuuuuunca. Eterno. Labiríntico no pior sentido. Um cu arrombado. "Deixa eu brincar de ser feliz/ Deixa eu pintar o meu nariz", foda-se esta merda. O show dos Los Hermanos foi tipo visita de vó quando você está lá, doida pra trepar com seu namorado e o povo inventa de fazer bolo de fubá, passar café, melar seu lance, entende? Pois é.
Mas aí tudo veio a calhar quando depois de longos anos de espera, o primeiro sinal evolutivo bem-sucedido apareceu no horizonte. Quatro mesas (sei lá se aquilo é mesa... ) com seus respectivos laptops em cima e todo um dispêndio de energia para agilizar o processo, acontecendo. Um cara varrendo o chão perto dessas mesas. VARRENDO! Eu dei muita trela nisso porque assim, alguém varreu o chão para aqueles babacas dos Los Hermanos!?! NÃO! NÃO! E então eles estavam lá varrendo e montando e testando e trululu e tchans! A travessia começara. Sério mês. Desde quando começou a primeirinha batida de The Man machine (que era a música que eu mais queria ouvir do Kraft e já rolou logo de cara), eu já deixei a coisa fluir para um estado de bem-estar induzido e espontâneo e tudo ao mesmo tempo agora. E daí pra frente foi só alegria, muito embora eu ficasse de dez em dez minutos gritando o Hélio (não interessa quem é o Hélio. Eu sei quem é o Hélio e eu estou contando isso pra mim e então basta eu saber quem o Hélio é). E o show foi indo e tomando proporções alarmantes de beatitude e pureza. [puta que pariu cem vezes] E aquela gente ridícula sentando no chão e dando rata querendo a bosta dos Los Hermanos e não abrindo os olhos para aquelas cores saltando, engolindo a gente. As músicas mais sincronizadas com aquelas imagens maravilhosamente simples e agressoras. Fantástico. Lindo. Sou roceira deslumbrada. Porque ver o mar de manhã e depois encarar um show desses é demais pra mim, eu fico patética e mongolóide.
Depois de toda a emoção provocada pelo futurismo retrô, pelo robótico orgânico, vieram os povos do Radiohead com a lindeza da sua iluminação pró-meio ambiente. ha ha. Parece até piada que aquilo tudo é econômico! A verdade é que eu não tenho palavras para descrever tamanha singularidade de efeito felicidade. Só pude chorar num determinado momento para dar conta de extravazar de alguma forma tudo que eu estava sentindo. Tendo o melhor dia da minha vida do lado do sujeito que está aí encantando meu coração dia após dia. E mais!
Depois do show acabado, estamos saindo rumo à volta para casa quando me deparo com uma cabeça de pinguim nas costas comprando água. Quem era!?! O Héliooooooooo, minha gente! Aí, meus zoin se encheram d'água e eu voltei pra zona da mata cuma mão na frente e a outra atrás.
FIM.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Faça a coisa certa

Cheira a flor.... sopra a vela... cheira a flor.... sopra a vela.... isso.... relaxe...
Ainda que eu me faça de forte e tente constantemente fazer a linha "superei, superei. Life goes on", é tudo mentira. Tá tudo acumulando debaixo do tapete esperando a hora H de passar um aspirador num divã qualquer que ofereça o melhor custo/benefício da cidade. Tipo pastelcumcaldicana. E digo mais, sou do pior tipinho. Daquele que remói em silêncio e numa situação X chora que nem uma desenganada ou dá meia dúzia de gritos porque deixaram derramar um pouco de sorvete no forro da mesa. Tá errado, grandes pensadores da alma humana? Tá, né? Mas é o meu jeiteenho maroto de lidar com os pedregulhos no caminho.
Existem fatores simples e imprescindíveis para o bom funcionamento da harmonia (muito embora isso de harmonia é uma coisa que colocaram na sua cabeça) e existem pessoas que têm a maldita manha de foder com tudo. Você está lá, vivendo a sua vida, tirando forças do cu para dar conta das circunstâncias enquanto um babaca está por aí melando a sua parada. É uma temática que se repete dia após dia; e se repete, é porque tem alguma coisa que não vai bem. E eu assumo aqui porque aqui é meu lugar de assumir as minhas fraquezas mais bastardas.
Muitas vezes eu me pego mergulhada em meus pensamentos me questionando porquê diabos um sujeito que você foi amiga pra caralho, trouxe pra dentro da sua casa, compartilhou momentos e momentos, tem a capacidade de fazer as merdas que anda fazendo pelas suas costas. É óbvio e evidente que essas coisas acontecem, mas puta que pariu! PUTA QUE PARIU!
É muito ruim topar com as pessoas que você conhece e não saber se pode interagir com elas normalmente porque o sujeito chegou antes e falou muita merda e destruiu tudo por algo tão pessoal. Porque não basta dar o K.O, tem de ir minando aos poucos tudo e todos que você considera para te colocar numa situação gritantemente constrangedora e infeliz.
Eu admito. Isso me amargura pra caralho. Pronto. Falei.
A verdade é que eu estou ficando velha. Precocemente velha. Daquelas que acham que tudo na vida já aconteceu dentro da própria mediocridade. Síndrome de urbanóide. E de Matusalém. Só que sem as marcações do tempo estampadas na face e sem toda a criatividade de inventar brinquedos maravilhosos. Um pouco de fantasia nas horas vagas ajuda um pouco. Esgueirando pelas beiras da genialidade de outros e tentando absorver um tanto da dignidade do que a arte, para aqueles que chamam de arte, oferece como parâmetros de educação. Educação nos sentidos mais amplos cuja existência lhe permite. Educar para a vida e para a morte. Quem sabe para o pós-mortem. Que nem... a gente desconfia que não existe nada além, mas por via das dúvidas vamos agregar valor para um futuro encontro mais importante da sua vida no vale das almas. É o tipo de coisa animadora. Morrer e topar com o George Harrison (isso me lembra o quanto eu preciso pesquisar sobra a história dos coletes coloridos. Logo eu, que odeio essas obtusidades da moda; mais vai que ele gosta de conversar sobre amenidades! I must be ready!). Como sempre não era nada disso que eu queria dizer, mas acabo dizendo porque você sabe, a incompetência crônica não deixa foco e a melhor forma de enganar os incautos é a fabulosa arte da digressão. Pois bem. O SAC está aí para quem quiser. E até onde eu me lembro, no Rio, pelo menos, costuma funcionar, muito embora isso se trate de outros quinhentos. O que me lembra também que as aulas começaram e o primeiro dia já deu aquela ponta de "me cansei de lero lero, dá licença mas eu vou sair do sério". Eu sempre disse que a farsa é a força motriz desse mundão de meus deuses, entretanto exista uma palavra muito mais sagaz para (des)qualificar nossa vasta residência. De hoje em diante, eu abandono o termo fraude e vou me chafurdar na eterna gabolice (palavra recém-adquirida tem de gastar néam, bee!?!) da picaretagem. De qualquer forma, vai muito que bem porque ultimamente eu ando a mais picareta da vizinhança. E isso também se trata de outros quinhentos.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Da solidão e outras pequenices II
São aquelas coisas que ninguém pode fazer por você. O ânimo para se levantar, para se lavar, para continuar existindo e dar fluidez à vida. Pegar ônibus e aguardar pelo próximo que levará ao trabalho e com todo o esforço do mundo (ou nem tanto), tentar fazer com que as pessoas prestem atenção no que lhes é falado. Mas a parte relevante é essa de esperar o próximo ônibus. Acender um cigarro distante para não incomodar a maioria que desconhece a compania desse mesmo cigarro. E a falsa sensação de companheirismo proporcionada por um outro que acende um também, estimulado pelo seu próprio cigarro. É engraçado como às vezes não se precisa, necessariamente, de palavras para não se sentir só. É engraçado isso de querer ter a impressão de não ser/estar só.
terça-feira, 3 de março de 2009
O Tesouro da Juventude
As crianças são ingratas por natureza, coisa compreensível pois apenas imitam seus amorosos pais; assim, as de agora voltam da escola, apertam um botão e se sentam para ver a novela do dia, sem pensar um instante nessa maravilha tecnológica que é a televisão. Por isso não será Inútil insistir ante os párvulos na história do progresso científico, aproveitando a primeira ocasião favorável, digamos a passagem de um estrepitoso avião a jato, para mostrar aos jovens os admiráveis resultados do esforço humano.
O exemplo do jato é uma das melhores provas. Qualquer pessoa sabe, mesmo sem ter viajado neles, o que os aviões modernos representam: velocidade, silêncio na cabine, estabilidade, autonomia de vôo. Mas a ciência é por definição uma busca infindável, e o jato não demorou a ficar para trás, superado por novas e mais portentosas mostras do engenho humano. Com todos os seus avanços, esses aviões tinham numerosas desvantagens, até o dia em que foram substituídos pelos aviões a hélice. Essa conquista representou um importante progresso, porque voando a pouca velocidade e altura, o piloto tinha maiores possibilidades de fixar o rumo e de efetuar as manobras de decolagem e aterrissagem em boas condições de segurança. No entanto, os técnicos continuam trabalhando em busca de novos meios de comunicação ainda mais vantajosos e assim anunciaram consecutivamente dois descobrimentos capitais: referimo-nos aos barcos a vapor e à ferrovia. Pela primeira vez, e graças a eles, chegou-se à extraordinária conquista de viajar ao nível do chão com a inestimável margem de segurança que isto representa.
Acompanhemos paralelamente a evolução dessas técnicas, começando pela navegação marítima. O perigo de incêndios, tão freqüentes em alto-mar, incitou os engenheiros a encontrarem um sistema mais seguro: assim foram nascendo a navegação a vela e mais tarde (embora a cronologia não seja garantida) o remo como o meio mais vantajoso para propulsar naves.
Tal progresso era considerável, mas volta e meia os naufrágios se repetiam por diversas razões, até que os avanços técnicos proporcionaram um método seguro e aperfeiçoado de locomoção na água. Referimo-nos, é claro, à natação, além da qual não parece haver progresso possível, embora a ciência seja pródiga em surpresas.
Quanto aos trens, suas vantagens eram notórias em relação aos aviões, mas foram por sua vez superados pelas diligências, veículos que não contaminavam o ar com a fumaça do petróleo ou do carvão e permitiam admirar as belezas da paisagem e o vigor dos cavalos de tiro. A bicicleta, meio de transporte altamente científico, situa-se historicamente entre a diligência e o trem, sem que se possa definir exatamente o momento de sua aparição. Em compensação sabemos, e isto constitui o último elo do progresso, que o desconforto inegável das diligências aguçou o engenho humano a tal ponto que não demorou a ser inventado um meio de transporte incomparável, o de andar a pé. Pedestres e nadadores constituem assim o coroamento da pirâmide científica, como se pode comprovar em qualquer calçadão e observando satisfeitas, por sua vez, as evoluções dos banhistas. Talvez por isso haja tanta gente nas praias, pois os progressos da técnica , embora ignorados por muitas crianças, terminam sendo aclamados pela humanidade inteira, sobretudo na época das férias remuneradas.
(Julio Cortázar, Último Round)
segunda-feira, 2 de março de 2009
Modismos sórdidos e merdas em geral
Bob Dylan é legal. Beleza.
Bob Dylan é super hiper mega luper. Beleza.
Bob Dylan pode até ser deus pra quem quiser. Beleza.
Desgraça muita num mundo bastardo como esse é pouca e muitos não se contentam em celebrar grandes ícones em sua individualidade. Não. Tem de "hypar" a porra do troço senão não serve. Ainda que seja uma opinião um tanto quanto infundada, especulativa e intuitiva e passível de cair por terra facilmente, creio eu que ainda assim, dentre um enorme leque de possibilidades e coisas adequadamente irritantes, é o tipo de indignação que vem a calhar. Por que? Porque só os seres humanos têm o fantástico dom INSTRANSFERÍVEL de estragar as coisas. De esgotar a magia em celebrações demasiadas, em adoração descomunal, em referências orgiásticas equivocadas, em pseudo-trela-efêmera-momentânea-circunstancial (sim. tudo muito redundante para reforçar bem a idéia de insatisfação). Diz-se por aí que o Dylan é um ícone de toda uma geração e referência para incontáveis empreitadas bem sucedidas. Ok, ok. Quem sou eu, mera mortal, para questionar algo que está entranhado, enraizado, sedimentado na cultura pop? Pois bem. NINGUÉM. De qualquer forma, é doloroso você observar o que acontece quando rola um boom num determinado espaço e num período de tempo que se estende exatamente até alguém cavucar fundo e achar outro alguém que seja tão digno de veneração pontual como Bob Dylan. Eu sinto isso porque, em termos de Brasil, parece que depois de Mallu Magalhães, uma boa parte de gente tem se sentido tão íntimo e enturmado com a realidade folk-fazenda que chega-se ao ponto de realmente acreditar na possibilidade desse movimento específico de uma determinada época e contexto, ter feito e estar fazendo parte da realidade cotidiana para todo o sempre e agora. Igual a tudo na vida, é perigoso isso de comprar certos impulsos ingênuos e vendáveis que acontecem todos os dias, toda hora. E ainda desdobrar o ocorrido passando a ligeira impressão de eterna nostalgia (o que é justificável perante a carência de grandes feitos nos últimos tempos) e mais ainda, arrastar a situação a tal ponto em que ver ou ter deixado de ver "I'm not there" é uma questão crucial para definir a sua posição diante da vida. São tábuas de salvação que eu realmente não compreendo. São situações as quais vão além da minha capacidade de entendimento. Assim como Goiânia está Brasil demais, vários lugares estão folks demais. É tudo muito tendência.
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