segunda-feira, 2 de março de 2009

Modismos sórdidos e merdas em geral

Bob Dylan é legal. Beleza.
Bob Dylan é super hiper mega luper. Beleza.
Bob Dylan pode até ser deus pra quem quiser. Beleza.
Desgraça muita num mundo bastardo como esse é pouca e muitos não se contentam em celebrar grandes ícones em sua individualidade. Não. Tem de "hypar" a porra do troço senão não serve. Ainda que seja uma opinião um tanto quanto infundada, especulativa e intuitiva e passível de cair por terra facilmente, creio eu que ainda assim, dentre um enorme leque de possibilidades e coisas adequadamente irritantes, é o tipo de indignação que vem a calhar. Por que? Porque só os seres humanos têm o fantástico dom INSTRANSFERÍVEL de estragar as coisas. De esgotar a magia em celebrações demasiadas, em adoração descomunal, em referências orgiásticas equivocadas, em pseudo-trela-efêmera-momentânea-circunstancial (sim. tudo muito redundante para reforçar bem a idéia de insatisfação). Diz-se por aí que o Dylan é um ícone de toda uma geração e referência para incontáveis empreitadas bem sucedidas. Ok, ok. Quem sou eu, mera mortal, para questionar algo que está entranhado, enraizado, sedimentado na cultura pop? Pois bem. NINGUÉM. De qualquer forma, é doloroso você observar o que acontece quando rola um boom num determinado espaço e num período de tempo que se estende exatamente até alguém cavucar fundo e achar outro alguém que seja tão digno de veneração pontual como Bob Dylan. Eu sinto isso porque, em termos de Brasil, parece que depois de Mallu Magalhães, uma boa parte de gente tem se sentido tão íntimo e enturmado com a realidade folk-fazenda que chega-se ao ponto de realmente acreditar na possibilidade desse movimento específico de uma determinada época e contexto, ter feito e estar fazendo parte da realidade cotidiana para todo o sempre e agora. Igual a tudo na vida, é perigoso isso de comprar certos impulsos ingênuos e vendáveis que acontecem todos os dias, toda hora. E ainda desdobrar o ocorrido passando a ligeira impressão de eterna nostalgia (o que é justificável perante a carência de grandes feitos nos últimos tempos) e mais ainda, arrastar a situação a tal ponto em que ver ou ter deixado de ver "I'm not there" é uma questão crucial para definir a sua posição diante da vida. São tábuas de salvação que eu realmente não compreendo. São situações as quais vão além da minha capacidade de entendimento. Assim como Goiânia está Brasil demais, vários lugares estão folks demais. É tudo muito tendência.

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