terça-feira, 28 de outubro de 2008

Desgostos do mundo contemporâneo

Isso de trabalhar e ganhar miseravelmente é uma bosta. Eu tenho mania de ficar que nem cachorro olhando frango no espeto roletando em sites de coisas interessantes e querendo o mundo. "Nossaaaaaa! Olha esse boneco de mil reais que fantástico!"; "Meu deus... esse livro de duzentos é tudo o que queria!"; "E essa fantasia de barata de quinhentos e caraiada!?! Meu sonho!". É difícil estar quase 100% do tempo possuída pelo espírito da loira fútil consumista e não ter dinheiro para andar de ônibus. Treta. Porém, eu não me deixo abater pelo fato de eu ser uma excluída do nosso querido modo de produção (expressão ultrapassada) capitalista cretino e selvagem. Eu apenas ignoro a possibilidade de ter tudo o que eu quero ter e vou me distrair com as coisas dos outros que têm mais condições de ter que eu. Justo, não? É o tipo de coisa que traz problemas, mas se você quer ser uma pessoa digna e agregar um mínimo de cultura, por que não? Devagar e sempre a gente vai construindo um pequeno universo material fruto do suor diário (vide post anterior) e beliscando daqui e acolá para não perder o costume. Eu só não entendo o porquê dessa cafubira de querer possuir, ter, pegar, esfregar no corpo aquele objeto concreto tão desejado. Não tem dinheiro, fílea. A solução é queimar tudo e dançar pelado em volta.
"And he learns how to steal, in the ghetto" (:

Esqueci o título ¬¬


Vai completar um mês que eu, milagrosamente, consegui arranjar um emprego. Era mais ou menos o que eu esperava, só não esperava que fosse tão longe e ainda, em Aparecida de Goiânia. Pois bem. Esse não é o grande problema; nem chega a ser um empecilho de fato porque quando dá para ir sentada, rola de ler um livro e abstrair o mundo. Mas tem dia que é o inferno. Imagine agora então com esse calor todo, aquela muvuca gostosa de terminal com zilhares de pessoas cansadas e fedidas saindo do trabalho e voltando para as suas casas (ou tanto faz para onde estão indo) com aquele humor cocô e ainda eu lá, acompanhando toda a saga da patuléia como uma mera espectadora. Não que eu no final das contas não faça parte da massa, mesmo porque um curral de transporte coletivo define bem a sua posição diante da vida e, com certeza, ela não difere ninguém de ninguém não importa o nível de peculiaridade de cada ser.
Outro dia, eu fiquei embasbacada com a treta que rolou dentro do ônibus. Foi troço que a gente nem espera porque só queremos chegar em nosso destino são e salvo. Mas ocorreu de um cara grilar com as pessoas que desesperadas por sentar e descansar os ossos um pouco (mesmo que seja nos bancos sistemas de cotas), sentaram-se nos bancos sistemas de cotas e deixaram suas filhinhas pequenas em pé e relativamente pisoteadas pela multidão. O circo estava armado. Pancadaria e ameaças de morte dentro do ônibus. Um espetáculo. Chegou ao ponto do cara tirar uma arma e apontar na cara do outro que nem tinha nada a ver com a treta só porque estava rolando todo um contexto propício para tal. Fiquei uns dois dias traumatizada e sempre entro no ônibus com um pouco de receio, mas devido às circunstâncias, a gente engole seco e prossegue a vida como tem de ser. Beleza.
Hoje. Hoje tinha jogo e eu nem sabia. Fui saber depois de perder o baú da felicidade das 19:20h porque eu estava bem-humorada E prestativa e acompanhei um cego até o ponto que ele queria ficar. Foi interessante a experiência de enxergar por alguém quando eu não estou conseguindo ver direito nem pra mim. Whatever. Cheguei no meu ponto para esperar a doce demora do fabuloso "Praça da Bíblia/Aparecida de Goiânia" e nisso o ponto estava lotaaaaaaado de criaturas efusivas da esquadrão. Lindo! Felizmente eu estava com o humor muito bom. A cada grito de guerra daquele povo, eu tinha de apertar minhas pernas para não fazer xixi nas calças. O povo é o povo e isso nunca vai mudar. Dentro do ônibus foi mais engraçado ainda. Aquela gente toda espancando o teto do ônibus e cantando e sugerindo uma falsa hostilidade. Até que acenderam uma lata de cerveja cheia de crack. Mas nem deu tempo da coisa ficar feia porque o Serra era logo ali. Enfim, são as passagens do cotidiano que a vida nos oferece para temperar a rotina. O mais bonito de tudo é a minha chegada no Sesi... Recepcionada calorosamente por um aluno:


"- Pô, fessôra! Penteia esse cabelo pra dar aula!"

domingo, 26 de outubro de 2008

Garçon, dose de drama, por favor. E não pare de servir.


Aquelas horas em que você fica introspectivo. E volta no tempo (assunto polêmico e jocoso) apenas com o poder do pensamento. Lembra daqueles dias que ficava prostrada na cama com uma garrafa de bebida barata e ouvindo música (não necessariamente boa), mas que com certeza marcam os momentos da vida que desejamos ser diferente em algumas horas. Eu não sei porque eu ainda perco o meu tempo tentando "escrever" sobre coisas que não interessam nem a mim mesma. Mas é aquela história, cada qual com sua válvula de escape e por mais descartável que seja (por ser muito nada e nada a ver), acaba virando um jeitinho de diminuir todo o pesar que hora ou outra surge no coração. Coisas que acontecem e a gente nem tem um motivo. E essa mania de sempre achar que precisa ter motivo... Se tudo na vida tivesse um motivo, pra que gastar tempo e latim questionando a existência? E essa profundidade rasa. E essa vontade de não-ser. Essa vontade...


Uuuuh, vaquinha! (Mamilo in chamas' version)


Porque têm dias que a gente acorda assim.


Assim como?








Assim.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Vale a pena ver de novo


A FOFURA É O MAL DO SÉCULO

Pois bem. Quem diz que o mal do século é a tuberculose, a solidão e quiçá, o câncer, está redondamente enganado. O mal do século é a fofura. E a fofura no seu estado bruto pode levar uma pessoa à loucura. E só uma força superior sabe do que uma pessoa louca é capaz.
Está provado cientificamente (pela minha pessoa assistindo Tiny Toons e reparando o comportamento peculiar de Felícia) que os seres humanos tem uma capacidade mental pouco evoluída para processar estímulos doces, fofurescos, rechonchudos, peludos ou não, estrategicamente coloridos e com ruidinhos quase obscenos de tão bonitos. Acredito que as coisas fofas atingem uma área do nosso cérebro responsável pelos instintos mais primitivos. É essa a área reponsável pelo amor, pelo desejo e infelizmente, não preparada para a visão de certas coisas que a vida há de nos presentear mostrando o quanto o belo pode ser belo e você simplesmente não saber lidar com isso.
Quando eu me deparo com algum coelho gordo ou mesmo meus hamsters ou mesmo algum desenho animado ou qualquer outra coisa que excite a minha capacidade de processar a informação como algo FOFO, eu posso concluir com firmeza de opinião, que as minhas glândulas ad-renais liberam adrenalina em minha corrente sanguínea. E eu sofro de taquicardia, minhas pupilas dilatam, minha respiração fica ofegante e eu simplesmente sinto uma incontrolável vontade de espancar, matar, arruinar a vida de alguém, correr e bater com a parede na cabeça, jogar alguma coisa no chão, degolar, empalar e outras coisas que remetem a um estágio de violência bastante avançado.
Analisando uma situação hipotética, imagino que se Hitler tivesse se vestido de coelhinho saltitante na época do Nazismo, ele teria sido muito mais bem-sucedido em sua empreitada do que usando aquele cabelinho lambido e aquele bigodinho ridículo. Ele simplesmente desencorajaria qualquer oponente a meter uma bala em sua cabeça. Isso explica muito o fato de ninguém ter quisto estrangular o Snoopy, que mesmo com seus acessos de filha-da-putice extrema, conseguia ser um desgraçado sem ninguém notar porque todo mundo estava preocupado mesmo com o fato de ele ser um cão bonito, FOFÍSSIMO e de personalidade forte (mas nunca um filho-da-puta).
De qualquer forma, as pessoas têm muitas maneiras de expressar sua relação com a FOFURICE . Algumas conseguem extrapolar e levar a situação às vias de fato soltando comentários do tipo: "É tão bonito que dá vontade de esfregar no cu" e ou (porque se trata da mesma pessoa) ao ver um jornalzinho de ovos de Páscoa das Lojas Americanas soltar a pérola de todos os tempos (siga o diálogo):
" - Ei! Você não vai me devolver o folheto não? Preciso escolher o ovo que vou comprar pra mim!!!"
"- Nããããão! Esse ovo com papel do Snoopy é tão bonito que eu vou levar pra casa para bater punheta."
É por essas e outras que a vida não me deixa dúvidas. A FOFURA é definitivamente o mal de toda a humanidade.

Aleatório

"Você não acredita em deus, seu filho da puta..."
"Esse é o Bernardo de Gordonio, uma obra rara, não faça isso, meu amor..."
"Você também não acredita no amor, cachorro... Rasgo, não tente me impedir"
"Não, não, por favor..."
"Pronto, destruí esse lixo todo."
"Você aniquilou a minha vida, essas tiras de papel..."
"Você está chorando, querido?"
"De raiva. Quero matar você, mas não consigo..."
"Talvez a gente possa colar tudo... Me desculpe, deu uma coisa em mim... Por que não consegue me matar?"
"Não sei."
"Eu mereço depois do que fiz. Quer que eu apanhe uma faca na cozinha? Aquela que uso para limpar a gordura do contrafilé?"
"Esquece."
"Quer que eu vá embora?"
"Não."
"Você me ama, Fernando."
"Não adianta ficar me abraçando, Heloísa."
"Anda, Fernando, me dá um beijo. Outro. Ah!... Já estou sentindo em você a tal impulsão vital. Eu vou usar isso, vamos para o quarto."
(Pequenas criaturas - Rubem Fonseca)

Muito democrático


Eu só trocaria "burra" por demente. Há uma diferença; já que pessoas dementes são assim quase sempre por opção.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Meu deus! A tecnologia é tão fascinante e nossas vidas são tão normais. Pois é. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Agora estou bem melhor depois de harmonizar o feng shui do meu blog. Be Zen. Be Casa Cláudia.
Pra que se importar? Manifestar-se tá perdendo a graça. Quero o dom da instropecção. Quero o dom de continuar aproveitando minhas oportunidades de ficar calada. Quero ser um naco de isopor.

Pagando de gatinha na casa do caralho


Eu me aporrinho demais. Não tenho a manha de abstrair as bestanças da vida quando essas bestanças não passam de estratagemas alheios para tentar ser alguma coisa perante um círculo ínfimo de pessoas. Pelo amor de deus, gente! O que está acontecendo? Eu sempre soube que orkut é um antro de mediocridade sem precedentes, mas tudo na vida tem um bocado de limite. Ou deveria ter, pelo menos. A auto promoção é o cúmulo da minha depressão. E as formas de chamar a luz dos holofotes para si são, no mínimo, decadentes. Se por toda a minha vidinha eu sempre tentei ficar na minha porque acho que isso é o melhor que uma pessoa pode fazer, eu quase sempre acreditei que isso seria o viável para todo mundo. Todo mundo poderia ter o bom senso de se limitar em sua insignificância e não perder tempo tentando romper as barreiras da boa convivência tão equivocadamente. Pensemos. Reflitamos. Fico desbaratinada com isso de pagar de gatinha. Foda-se.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

I seen the demons but they didn't make a sound
They tried to reach me but I lay upon the ground
I seen the people but they didn't make a sound
They tried to reach me but I gave the runaround
I reached for feelings but they didn't make a sound
They tried do reach me but I lay upon the ground
I saw miles and miles of squares
where's the feelings there
Still nobody cares
for miles and miles of squares
Daydream I feel asleep beneath the flowers

(The Beta Band - Squares)

Can't you feel the knife?

Há dias que o mundo parece estar nas últimas. Pode acabar naquele exato momento que a possibilidade passa pela cabeça. Acabar numa grande explosão de tensão e rancor acumulados pelo fato das pessoas não saberem lidar com o estresse cotidiano. Dá para sentir. A cada parada brusca de ônibus. A cada combo de praguejos do motorista e das pessoas andando pelas ruas; cada qual perdido em seu infinito poço de frustrações. Isso de estar sempre fazendo alguma coisa cercada de gente, conhecida e desconhecida, é uma chance que se tem de prestar atenção nas conversas e nas movimentações. Prestar atenção em como tudo caminha rumo ao final de ladeira e como a insatisfação é tão coletiva quanto eu jamais pude perceber. Reclamações, lamentos, indignação, sofrimento. E nessas horas a gente tenta buscar um conforto em nossas próprias experiências para tentar mascarar um dado contexto que pulsa em desgraça. E às vezes acontece o conforto; mas não é aí que eu quero chegar. Não sei se pretendo chegar em algum lugar (muito provavelmente não), mas parece que ninguém quer. Por mais que a vida esteja coberta de moléstias acumuladas por séculos de existência, ainda assim parece que não há salvação a não ser a velha tática do auto-conformismo. E isso me assusta dia após dia. Não que eu esteja preocupada exatamente com a humanidade, mas um pouco preocupada com a falta dela.
Putz, pavoroso.

What, what is that you tried to say?


Minha cabeça anda uma oficina do demônio. Bolas de feno passeando de um lado para o outro livremente sem ao menos correrem o risco de entrar em combustão por causa das faíscas resultantes de meus impulsos nervosos. É uma chateação. Às vezes fico com vontade de escrever meia dúzia de porcaria, mas não sai nada. Existem tantos assuntos em potencial e eu não consigo desenvolver nem meia linha sem falar alguma merda que expresse minha incompetência crônica. Deve ser porque agora eu trabalho e trabalho consome a gente. A alegria de viver, a vontade de pegar um livro pra ler. O cansaço. Eu poderia estar fazendo alguma coisa realmente valorosa, mas eu estarei dormindo, com certeza. Ou apenas inventando desculpas para justificar a minha vontade de fazer nada mesmo quando há vontade de fazer alguma coisa. Se todas as coisas do mundo inspiram uma necessidade de falar sobre elas, por que temos a sensação de não haver nada para se falar? Tudo é assunto e ao mesmo tempo não é. Acho que é porque é sempre melhor evitar falar sobre qualquer coisa que não seja o pontual que lhe cause indignação ou incômodo. Por que falar de qualquer coisa quando, aparentemente, de um ponto de vista bem egoísta e desgraçado, tudo parece estar em seu lugar?

Mommy, I've had a bad day

Das coisas que valem a pena na vida, é importante que se tenha sempre em mente a lembrança de não esquecer de recordar. Apesar da breguice típica de recadinho para os coleguinhas de quinta série, continua importante mesmo assim. Um dia de glória na vida vale mais que 30 dias de miséria. É o que acontece quando se é possuído pela musa do grunge. Eu poderia até amarrar uma camisa de flanela na minha cintura, mas eu não as tenho mais. Ainda assim foi valendo. Porque mesmo chegando alguns minutos atrasada para o show, o show estava lá. Dar uma corridinha para pegar os últimos momentos de "touch me, i'm sick" e se deliciar com os finalmentes, esteve bom. Esteve bom porque eu, carente como sou de eventos decentes que me divirtam de verdade, me contentei com o pouco que ainda vinha pela frente. Mudhoney estava lá e finalmente eu consegui ver essa porra desse show. Sim. Tenho a teoria de que uma maldição paira em mim em relação a shows que quero muito ver. Simplesmente tudo conspira contra. Coisa de filme mesmo. O importante é a positividade da vibe e ela estava em níveis positivos astronômicos. Have fun in Mark's Arm. haha. Podre.