"Você não acredita em deus, seu filho da puta..."
"Esse é o Bernardo de Gordonio, uma obra rara, não faça isso, meu amor..."
"Você também não acredita no amor, cachorro... Rasgo, não tente me impedir"
"Não, não, por favor..."
"Pronto, destruí esse lixo todo."
"Você aniquilou a minha vida, essas tiras de papel..."
"Você está chorando, querido?"
"De raiva. Quero matar você, mas não consigo..."
"Talvez a gente possa colar tudo... Me desculpe, deu uma coisa em mim... Por que não consegue me matar?"
"Não sei."
"Eu mereço depois do que fiz. Quer que eu apanhe uma faca na cozinha? Aquela que uso para limpar a gordura do contrafilé?"
"Esquece."
"Quer que eu vá embora?"
"Não."
"Você me ama, Fernando."
"Não adianta ficar me abraçando, Heloísa."
"Anda, Fernando, me dá um beijo. Outro. Ah!... Já estou sentindo em você a tal impulsão vital. Eu vou usar isso, vamos para o quarto."
(Pequenas criaturas - Rubem Fonseca)
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