quarta-feira, 22 de abril de 2009

I Might Be Wrong

(Radiohead)

I might be wrong
I might be wrong
I could have sworn
I saw a light coming on

I used to think
I used to think
There is no future left at all
I used to think

Open up, begin again
Let's go down the waterfall
Think about the good times
And never look back
Never look back

What would I do?
What would I do?
If I did not have you?

Open up, let me in
Let's go down the waterfall
Have ourselves a good time
It's nothing at all
Nothing at all
Nothing at all

"Never worry. Never moan.
We will leave you all alone."


Um dia você pensa em ir embora de verdade. E deixar tudo o mais para trás. Por que assim, pra quê? As coisas frustantes, ruins, malévolas, tristes e agoniantes têm um especial poder de eclipsar os bons momentos como se eles simplesmente nunca tivessem existido. E mais uma vez, eu que gosto muito de insistir na ponderação/racionalização dos fatos que se apresentam dia após dia, estou fadada ao rumo da absoluta descrença. Da absoluta impotência diante do mundo e ainda acoplada à mania de foder com tudo. Por que tornar as coisas mais fáceis se as mais difíceis têm mais valor? Bullshit. A questão é a amargura que vem lá de algum ponto muito secreto dentro de algum órgão qualquer da gente. E é uma sensação de desolação tão absurdamente repressora que qualquer beleza aparente na vida e nos gestos mais simbólicos das pessoas para com você se esvai tristemente. Como se o mundo fosse explodir naquele exato momento e não há nada que você possa fazer em relação a. Como se o mundo fosse explodir naquele exato momento e tudo o que você espera é um olhar de reciprocidade que diz: "Eu fiz o meu melhor e mesmo assim ninguém viu. Ninguém quis ver". Esse é o eterno problema de querer fazer o melhor. Você não pode jamais respirar e cruzar seus braços esperando que alguém reconheça porque o seu melhor sempre poderia ser muito mais do que perfeito. Ou apenas a sua obrigação. Como se fosse lógico fazer o seu melhor por dois ou três ou uma nação inteira. Eu odeio o heroismo justamente por isso; porque ele só existe até que você falhe. E a verdade é que todo mundo espera de camarote a sua falha para apontar na sua cara e eternamente manter o jargão mais filho-da-puta de todos os tempos: "Eu não disse!?!"
Se tudo na vida tivesse a simplicidade da aceitação de um pequena felicidade perene, de algo que satisfaça a tempo e à hora, não seria assim. É óbvio que não seria assim.

Não esquecer

"... tesão se resolve na cama, não emprestando livro ou apresentando droga ..."

(Caio Fernando Abreu - Morangos Mofados)

Desavenças - um texto homenagem

À passagem de ônibus que subiu.
Ao cigarro de cada dia que vai aumentar.
Às pequenas e grandes coisas que não dão certo.
Às pessoas que não respeitam o trabalho alheio.
À falta de compromisso.
Às divergências cotidianas.
Ao sono que agride.
À falta de sutileza com que se dá uma volta numa determinada situação.
Ao sexo forjado.
Ao ímpeto de cumprir obrigações.
Às coisas que eu nunca vou entender porque simplesmente não me cabe.
A nós que um dia talvez poderemos dizer que nos amávamos tanto.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Vai tomar no seu cu, Mitsuo!

Filosoficamente mongolóide


A mediocridade é uma doença transmitida pelo ar.

Respira procê vê a merda que vai virá.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O problema em fuçar...


é achar os trem.

Maldito Nesk. Maldita fofura.

domingo, 12 de abril de 2009

Being There


Traduzido para o português como "Muito além do jardim", com Peter Sellers e dirigido por Hal Ashby, esse é um dos melhores filmes que eu já vi em minha humilde vida. Assim como foi "Ensina-me a viver", também dirigido pelo Hal.

Não tenho grandes comentários a fazer a respeito porque minha mediocridade está deveras aguçada neste exato momento e me impede de dizer algo realmente satisfatório. Mesmo porque alguém já fez isso e com certeza muito melhor do que eu poderia fazer. O que eu poderia dizer é que é uma crítica sagaz e certeira no seio da população norte-americana. Não só a eles, obviamente, mas talvez até à enorme carência que as pessoas têm diante da vida. Tudo se dá num determinado contexto, e em contexto de morte e crise econômica (como no caso do filme) as pessoas tendem muito mais a se apegar ao mínimo que lhes aparece e atribuir ares oraculares ao pouco que lhes é dito.

E a forma como as coisas são ditas... O humor é de uma sutileza impressionante. O filme têm cenas antológicas como por exemplo, o momento em que o Chance (a começar pela fritação do nome do personagem) sai pela primeira vez de casa e tem um contato com a realidade nua, crua e não vaselinada, após viver sua vida praticamente toda como empregado (jardineiro) de uma casa e tido como referência de vida, universo e tudo mais, apenas a televisão, ao som de "Also sprach Zarathustra" com arranjos de Eumir Deodato na íntegra. Digamos que isso valeria o filme, mas ele consegue ultrapassar as barreiras do esperado.

(Matando a cobra e mostrando o pau: http://www.youtube.com/watch?v=3BsiHydrT6U&feature=PlayList&p=62F77B9F3DB67EBF&playnext=1&playnext_from=PL&index=1)

Só para constar: "- Do you know Raphael?"

Fantástico.



segunda-feira, 6 de abril de 2009

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O exercício do convívio

Por todas as vezes que eu perco minhas esperanças e minha fé no seguir em frente.

Mexicanizou!

Entenda. Eu sou filha única.

Ando a divagar porque já tive pressa

"Toda vez que eu duvido do seu amor me acontece uma desgraça".

Toda vez que me acontece um amor eu duvido da sua desgraça.

Toda vez que me acontece uma desgraça eu duvido do seu amor.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Senta e choca


Ao contrário do que os seres humanos medianos e sem imaginação pensam, os dinossauros ainda existem. Pois é. Sinto em contar-lhes a verdade mais verídica de nossos últimos tempos (o que é bastante fácil de fazer, levando em consideração o mundo de mentiras e verdades inverossímeis espalhadas por todos os cantos e bueiros mais próximos de você), mas os dinossauros, seres superiores e topo na cadeia alimentar, não sobrevivem apenas no imaginário como mera nódua histórica de um passado remoto e capítulo virado das páginas da evolução. Eles estão em toda parte travestidos de humanos, posando de vitrine viva em parques temáticos e fazendo pontas cinematográficas vez em quando para arrecadar uma grana extra a fim de suprir as necessidades básicas geradas pela Dinosaur Secret Information Society. Não que eles trabalhem como espiões. Digamos apenas que eles cuidam para que os humanos não se fodam de vez. Então, ao invés de acreditar em deus, acredite nos dinossauros.

Com propriedades de mudança de tamanho trabalhada ao longo dos anos, chegaram a um patamar incrivelmente digno de Circo de Soleil, uma vez que se utilizam de macacões com zíperes escondidos sob a gola, podendo se passar por pessoas, crianças e até mesmo animais de pequeno porte, muito embora sempre causem um frisson para a assessoria de assuntos especiais, argumentando sobre a impossibilidade de se comportarem como um animal domesticado. Daí vem a preferência por aparecerem sob a forma de seres marginalizados, crianças histéricas e doentes mentais em potencial.

Seria muita pretensão querer contar tudo em um texto só, porque a riqueza de detalhes ultrapassa os limites de minha sabedoria, mas vale pontuar algumas artimanhas que esses animais tão espertos e traquinas desenvolveram para continuar se proliferando e mantendo a verdade tão guardada à sete chaves, a ponto de nunca ninguém ao menos levantar um questionamento a respeito de tal fato muito mais do que surpreendente (o que é muito justificável considerando a natureza exageradamente distraída - que chega a ser torpe - das pessoas comuns. Ou meros mortais... como preferirem).

Uma vez disfarçados, esses espécimes se comportam de forma estratégica usando códigos reconhecidos apenas entre si, o que, na verdade, não passa da língua original que por sua vez não passa de rugidos e grunhidos sutis. Por exemplo: Ruuuuarrr aaauuur hum ah uuuaarrr uur arrru ain. Traduzindo do dinossaurês para uma língua compreensível, diríamos: "Ontem eu estive numa festa muito doida." Só para constar, Raauuurr aaarrr uuurrraa, significa "Eu te amo". Sim. Porque os dinossauros também amam e quando amam, amam mesmo. De verdade. Inclusive é uma das fantasias preferidas deles. Pessoas apaixonadas. Segundo depoimento de um dinossauro estudioso: "Representar um humano apaixonado é a melhor forma de manter as coisas sob controle. Isso se explica exatamente pelo fato de que humanos apaixonados não têm controle, então é uma forma muito eficaz dos animais serem mais eles mesmos. Incrível, não? Porém, eu me lembro uma situação atípica de um pterodáctillo que se excedeu um pouco e tirou o macacão na frente de um colégio inteiro. Tivemos de chamar a equipe do Arquivo X para dar conta do caso, contudo, as coisas, felizmente, se acertaram mediante algumas baixas; inclusive a do romântico exibicionista".


"Um caso horroroso", reforçou. "Também tivemos o caso de um casal que se esqueceu de colocar os macacões e foram pegos fazendo planos em frente a uma máquina de café numa livraria de shopping".

"Esses a gente nem precisou dar cabo. Apenas inventamos um estratagema para justificar tão jocoso acontecimento dizendo que eram dois homens vestidos de dinossauros para fazer propaganda da pré-estréia do livro que tivemos de lançar de última hora".



"Tudo se resolveu no fim das contas".

Ain, cansei. Vou ter de dividir isso em capítulos, embora o recado esteja dado. (:


Conflito de gerações


Minha geração é mesmo muito babaca. (:

uma homenagem


Urbanóide

Dentro do sonho estava a impressão de obra. Coisas sendo quebradas, batidas, espancadas, destruídas. Aos poucos foi recobrando a consciência. Consciência débil que permitiu tomar a decisão de não abrir os olhos. Não ainda. Merda. É como nascer de novo. Após um período considerável de tempo, já estava suficientemente em si para saber que o vizinho de cima estava de novo promovendo mudanças em seu apartamento. Terceira vez no mês. Melhor é implodir. Preguiçosamente sentou-se na cama, ainda de olhos fechados e contou até nove, mesmo porque sempre acreditou nos múltiplos de três. Abriu-os e olhou para o relógio. Oito da manhã. Calçou os chinelos gastos pelo longo tempo que não quis a possibilidade de comprar um novo par e arrastou-se até o banheiro. Olhou no espelho. Merda. Melhor seria dormir para sempre. Sentiu imensa vontade de voltar para a cama, entretanto, o barulho vindo do andar de cima encorajou-o a prosseguir sua rotina. Escovou os dentes e lavou o rosto com um certo desgosto. Foi até a cozinha e encheu um copo com café dormido, ligou a tv. Já não se faz desenhos como antigamente. Dirigiu-se à porta e pegou seu religioso jornal. Passou os olhos desinteressadamente, como todos os dias. Terminou o café, ainda que deixando um resto no copo e não sentiu vontade de lavar a louça acumulada na pia. Louça de uma semana. Louça de alguém que mora tão sozinho que não vê a necessidade em manter as coisas limpas ou em ordem. Tomou seu banho; talvez o momento mais aprazível do dia para ele pois sentia muito prazer em ficar se molhando. Juntava as mãos numa forma de cumbuca tosca e deixava a água acumular; quando estava cheia até a borda, ligeiro jogava a água nos seus ombros. E se ensaboava tão lento a ponto de acreditar no banho como um ritual de passagem. Passagem para onde não se sabe, talvez para uma melhor condição de abrir a porta e dar conta do mundo tal qual é. Sem novidades, sem perspectivas. Embotado em sua mediocridade, saiu para trabalhar. Entediado dentro de sua pequenez, andava as ruas sem se importar com o mundo a sua volta. A ligeira impressão de continuidade, repetitividade, mais do mesmo ad infinitum, ad nauseam. Olhava as pessoas com certo ar de desinteresse, com descaso e até um pouco de aversão. Conhecer uma pessoa é conhecer todas. Ser humano é um padrão, embora acreditem na pretensa variabilidade. Identidade. Rá. No trabalho, tudo como deveria ser. Vários cafés para dar conta de sua função mera e insuportavelmente burocrática. Comer beber morar dormir respirar trepar. Trabalho e o básico da vida. Burocracia e o básico da vida. O básico da vida de forma burocrática. Tudo a seu tempo e a sua hora porque burlar o burocrático gera descontentamento. Cumpre o horário e tenta confraternizar um momento de descontração. O tédio em saber que não há nada de novo no front, não permite a fluidez. Sai sorrateiro, passa em um desses hipermercados e adquire um novo objeto que garantirá sua salvação: um tapa ouvido. Ao chegar em casa, sem muita delonga, vai ao fim de mais um dia. Fica no quarto lendo, contudo o sentimento de desalento, de variação de uma mesma coisa antes usufruída. Arruma a cama para se deitar. I'm not here, this isn't happening, cantarola. Deita, coloca seu tapa ouvido, pensa duas ou três coisas sem importância e se desliga.