
Ok. Carnaval nem é uma das movimentações mais empolgantes do mundo. Só que na minha infância era. E era muito. Carnaval quando era ainda carnaval nas ruas do Rio de Janeiro com aquele mundarel de gente fantasiada e sendo feliz. Simples assim. Às vezes eu fico lembrando das tardes nas matinés com cara de bãbãca vestida de coelha. Sempre coelha. Um ano marrom, outro preto, outro branco, outro malhado. Mas nem sempre foi de coelho porque afinal de contas, o carnaval acontecia em uma pancada de dias e minha mãe trabalhava fortemente para que sua filha ficasse bem na fita. O importante é que eu nunca sei porquê essas coisas me ocorrem. Essas lembranças que vêm do nada e ficam martelando um monte de tempo me deixando com um sorriso brega na cara. Isso porque era muito bom. É o tipo da coisa que a gente tem orgulho de ter vivenciado e ficar chapando com memórias singelas de uma infância feliz. O que eu estava pensando, na verdade mesmo, era que eu gostaria muito de resgatar um tipo de sentimento desse. Dessa simplicidade toda e deixar ir. Estar feliz e desapegar um pouco dos perhaps dessa vidinha medíocre. Não necessariamente vestida de coelha, mas pelo menos com a cara de bãbãca vendo as pessoas sendo felizes. SÓ sendo feliz.
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