
E durante todo o tempo que eu estive por aí, tentando levar a vida de um jeito comum, eu fui desaprendendo aos poucos a lidar com essas coisas do coração. Na verdade, acho que ninguém nunca aprendeu de verdade, mas é imbecil importunar-se com amenidades (ou não). O fato de sempre enxergar tudo pelo pior ângulo faz com que uma cascona seja criada em torno da sensibilidade; porém, quando você se pega se importando demais com o outro, isso pára. E tudo vai por água abaixo porque quando você menos espera está em algum canto da casa lamentando qualquer besteira que incite a paranóia. Eu odeio estar paranóica. Eu odeio gostar de alguém. Eu odeio ter todo um gasto de energia para agradar alguém e fazer com que tudo fique bem. Tudo fique na tranqüilidade que eu sempre cultivei evitando o outro. Eu odeio mais que tudo ter de admitir minha amargura e ver que ela está sumindo pouco a pouco sem o meu consentimento. Eu odeio perder o controle. E é por isso que eu vou tomar um sorvete. Sozinha.
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