terça-feira, 15 de julho de 2008

Susta o cheque!

Eu tenho uma amiga e o nome dela é Lenira. Lenira é uma garota magra, de cabelos longos e é fã dos Ramones. Não. Ela nem é só fã. Ramones é tipo religião para ela. Coisas que eu não entendo, mas têm coisas que não foram feitas para entender. A Lenira tem uma risada engraçada porque ela ri pra dentro. E ela acredita no dark side of the force. Mais que qualquer um que eu jamais conheci. Ocultismo, sobrenatural, forças obscuras, forças não-obscuras, forças superiores, forças de uma maneira geral e ela está lá se embrenhando rumo ao desconhecido. Uma pessoa versátil, intrigante, presença e sucinta. Uma pessoa de boa convivência e guru espiritual (de uma certa forma) das pessoas que se enfraquecem de racionalidade e pedem um arrego e outro para o fantástico. Acho extremamente curioso a forma como ela lida com seu tarô, com interpretações de signos e significados, com a crença quase cega em entidades sejam elas de qualquer natureza; como essas entidades podem nos dar uns toques na vida. Ela realmente se propõe a estudar sobre tudo isso e tentar entender do jeito dela o funcionamento da ordem e do caos. E eu acho isso bonito, apesar de de vez em quando me pegar com expressões de desdém por sempre duvidar de tudo e de um pouco mais. No entanto, quando a coisa aperta, o que acontece? Eu corro para a sabedoria que eu não faço idéia de onde vem e deixo, de certa forma, me apegar um pouco aos mistérios da leitura de tarô que Madame Lenirão faz eventualmente. E é tão espontâneo a forma como ela acredita naquilo que está vendo, interpretando e dizendo que não me resta outra opção a não ser dar créditos. Levar em consideração coisa ou outra que parece ser realmente contundente num determinado momento. Há a pagação de sapo. Há um conforto que a gente se deixa levar pelo que é dito, mesmo não sabendo a origem do acaso e da necessidade. É impressionante como eu gostaria de dizer muito mais sobre isso, mas não saberia o que dizer porque não vejo muita explicação racional para tal. E é sempre difícil quando não há explicação racional. Don't you know, don' t you know?

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