
"Baby you make me understand
These foolish little dreams I'm dreaming"
Todos os dias desde de um determinado dia de minha vida, eu me dou o direito de parar e pensar sobre o que é isso tudo que está acontecendo comigo. Essas coisas que eu sempre achei exageradamente levadas em consideração pelos outros sem ao menos cogitar o fato de que eu não via gravidade porque não estava me sentindo daquela forma. E a gravidade existe mesmo. Porque quando se gosta de alguém o senso neurose da gente pula alto ao menor sinal de suposto perigo. Porque quando se gosta de alguém a possessividade e o ciúme ficam gritando naquele menorzinho sinal de indiferença e ou divergências de prioridades. Felizmente, eu aprendi a remoer isso sozinha e tento ficar na minha demonstrando a naturalidade (o que de fato acontece porque eu não tenho paciência de ficar psicando por muito tempo. Na verdade, tenho preguiça mesmo. E aí fica certo.) e de qualquer forma, isso fica prejudicial porque no bolo eu desconsidero as coisas boas todas. E reprimo tudo. Reprimo o ciúme e a possessividade, mas reprimo o afeto, a vontade de falar as coisas que eu gostaria de dizer, os carinhos que eu gostaria de fazer. Reprimo a vontade de falar "Ei. Fica aqui comigo" e reprimo o "não vai embora agora não". Tudo isso porque eu acho que estarei invadindo, desrespeitando o espaço do outro. E nisso fico torcendo com muita força para que o outro descubra o que eu estou pensando e aja como eu gostaria que agisse, mas sabe-se que as chances disso dar certo são mínimas. Acho que eu preciso aprender, apesar de todos os fatores ambientais em questão, que gostar de alguém é invasão. É necessário chegar sorrateiro ou arrombando portas e chutando cadeiras. É necessário achar que talvez o outro queira o mesmo que você, mas a falta de comunicação não deixa a porra do trem fluir. Invasão. O que determina de fato o sucesso da empreitada (sistema sebrae de paquera e relacionamentos) é o agir. Se não tem ação, sobra para o mundo das idéias. E o mundo das idéias nos dá um leque de possibilidades TÃO imensamente vasto sobre um determinado contexto que no final das contas o que acaba restando são as neuras. E o que era bom só se esvai por um simples não-agir. E mesmo depois disso tudo, acho difícil ele ouvir de mim: " - Ei. Gosto muito de você."
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