Bem, segundo todo o conhecimento abarcado pela grande ciência de nossos tempos atuais - a astrologia (risos abafados) - minhas características advindas de uma série de circunstâncias planetárias e regenciais não me deixam negar a verdadeira natureza do meu ser. O que isso quer dizer? Quer dizer que segundo a astrologia eu sou um ser mais social que o normal. O que não é de todo mentira. E o final de semana passado esteve aí para mostrar como é possível uma pessoa ficar com tanta cafubira de estar rodeada de pessoas falando merda mas não poder por motivos de forças maiores, ou seja, uma moléstia que não veio a calhar de forma alguma. Ou até veio porque de vez em quando a gente tem de sentar a bunda tranqüilamente e pensar. Pensar de verdade. Colocar-se de encontro com o íntimo e ver o que que rola. Foi assim que eu me abstive de todos os programas (com certo pesar) e me vi em muitos momentos ameaçada pelo tédio de viver. Pelo tédio de ser quem eu sou. Pelo tédio de ser entendiante (o que vai muito mais além que isso). A questão é que depois de tanta reclusão, (e eu que pensei em ser eremita da montanha criadora de lhamas no final da vida, hein. No way.) no domingo bagaceira que estava me deprimindo do fundo d'alma (ainda mais depois de terminar de ler um livro que mostra um pouco da relação do homem com os cães - passagem coadjuvante, porém muito tocante) me vi com o telefone na mão passando trote na casa dos outros. O quê? Interação social, ué. Dez e tantas da noite e eu ligando para desconhecidos passando trotes. Quero dizer, olha que desgaste emocional! Pegar o telefone, deixar tocar, fazer com que uma pessoa aleatória levante de onde ela estiver para atender a porra de um doente mental ligando para dizer qualquer merda. É engraçado mesmo assim porque é interessante imaginar o que a outra pessoa fica pensando. Até porque isso é algo que uma criança faria. E não uma pessoa com voz fanhosa de gripe entediada dos infernos que resolver incomodar meia dúzia de gentes. Trela inocente, pô.
"Alô. Você conhece o tutu?"
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