Situação:
Aula cu. Calor da desgraça. Ônibus. Sol batendo forte na cabeça (antes fosse um trem azul). Encostada num cantinho levando a vida normalmente, apesar dos pesares e mesmo cultivando todo um rancor gerado por dias frustrantes, a gente tenta abstrair as pormenoridades com a expectativa no coração. E não há expectativas quando o ônibus é tomado por uma legião de dementes efusivos achando que o barato da vida é ser inconveniente. Lá estava eu pensando na morte da bezerra quando o frevo começou ao meu redor. Fique claro que eu não sou contra a felicidade alheia. O bem-estar coletivo. Não é nada disso; é só que certas coisas na vida exigem um limite para todos usufruirem belamente do que o bom senso costuma chamar de respeito.
Progresso da situação:
Torrando ao sol como um pedaço de carne seca no varal de algum açougue de quinta categoria, estava eu apenas observando a movimentação do bando ultra serelepe. Pessoas falando extremamente alto, rindo demasiadamente de nada, comentários desnecessários e infelizes, pulando e pendurando nos ferros do ônibus como se fossem protagonistas de um freakshow sem propósito. E o pior! A maldita câmera digital nas mãos. Uma câmera digital é uma arma poderosa dependendo de quem está manuseando. É um estímulo para mal entendidos. É o apocalipse da sociedade pós-moderna-mocoronga-acerebrada-da-puta-que-pariu-porra-caralho.
Conflito:
"- Olha aquela menina lá. Tá grilada pra caralho. Pára gente! Vocês estão grilando a menina!!!"
(Risadas em tom de zombaria)
"- Ou. Fica grilada não!" - disse "The chosen one" pedindo pra levar um murro na venta.
Clímax:
" - Meu pai acabou de morrer. Me deixem em paz."
Desfecho:
Silêncio abissal e muito prazeroso.
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