terça-feira, 5 de maio de 2009

Muitas vezes eu me pego preenchida por uma insegurança descomunal que me desestrutura. Em certos tempos isso vem à tona em forma de impulsos arredios e assustados que me impedem de assumir ser a pessoa que eu sempre acreditei ser. Não é justo que uma circustância permanente, ainda que isso soe um tanto quanto paradoxal, me faça acreditar que estamos vivendo algum tipo de tábua de salvação. Porque eu não acredito em tábuas de salvação. Eu sempre tentei, da forma mais honesta possível, fazer com que as responsabilidades dos meus atos e de minha vida fossem assuntos tão meus que acabou nesse tique egoísta de não saber me comunicar. E muitas coisas já deram errado porque eu sempre tive dificuldade em esclarecer o que se passa na minha cabeça quando as coisas estão desmoronando ao meu redor. A fobia mais intensa de que já tive notícia a respeito de mim mesma, é do abandono. Fobia de abandono. Porque é isso que as pessoas fazem quando elas se sentem retraídas, desconfortadas, desinteressadas e ou pressionadas por uma situação extrema; elas abandonam o barco sem nenhum precedente e deixam algumas responsabilidades que não te dizem respeito entranhar em você como se elas fossem uma parte esquecida a qual você nunca deu importância. E pode ser que seja isso mesmo. É o tipo de momento em que você se pega perguntando "onde foi que eu errei?", embora não tenha errado hora nenhuma. Para quem chegou num ponto de nem acreditar em amor, digamos que a oportunidade de crer e vivenciar uma experiência digna de, tenha surgido; mas eu fico me perguntando, às vezes, se não o tenho levado a sério demais, à risca demais, demasiadamente racional.
O que eu penso agora (e não consigo me livrar disso) é no fato de ter tornado as coisas pesadas. Tão pesadas que eu mesma me tornei um peso. Um peso que tende a afundar mais um pouco cada vez que algo fica maldito, mal interpretado, mal colocado, maltratado. Eu nunca vou saber se estou fazendo as coisas direito porque eu sinto que perdi um pouco dos parâmetros do que é direito.
Eu não sei o que fazer. Acho que é chegada a hora de rever as prioridades.


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