É um tanto de poeira embaçando a visão. São as teias de aranha tomando conta de todos os ângulos perpendiculares. É o mormaço de agosto trazendo o banzo e a preguiça de tirar as vendas da justiça. Sabe que a gente nunca sabe o que fazer com que há tempos está sendo apenas jogado nos cantos da casa. Não tem espaço para elas. O ser humano e sua incrível habilidade de acumular coisas, coisinhas e coisonas. Coisas ocupam muito espaço até que você perceba que não sobra espaço para você. Aí é fazer o limpa. Sacos pretos para os dispensáveis, caixas de sapato para o que, aparentemente, ainda tem algum valor. Espaço para o que importa e inferno astral para quem nasceu nesses vindouros tempos de libra. É sempre difícil decidir o que é lixo e o que é (?). É sempre difícil pegar a vassoura e sair voando em cima dela por aí. Dizem que a limpeza traz clareza aos sentidos. Traz o conforto de existir onde o entulho transparece estagnação. É que nem cortar os cabelos como metáfora de novas perspectivas. Como se mudar o corte fizesse de alguém um novo alguém. Um desinfetante floral para dar um ar agradável e desentupir o nariz do cheiro de mofo, guardado, doença. Mudar os ares pelo perfume que antes significava alguma coisa e depois tornou-se lembranças de algo que fez sentido. O grande lance é o dinamismo da vida e a verdade que reside num simples corte de cabelo. Ou troca de perfumes. Ou vassouras e rodos e baldes e faxina. Tudo se mistura no intuito de provocar mudanças. Poderia ser corriqueiro se não fosse tão complicado ter desejo. "Empilhar NÃO é arrumar!"
domingo, 30 de agosto de 2009
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